18 de abr. de 2009

QUE PUNTA

Chega-se a Punta del Leste em duas horas de vôo de São Paulo (alta estação). A opção, quando não há voos diretos, é voar até Montevideo (também duas horas) e seguir de carro ou ônibus por volta de uma hora. São menos de 100 quilometros de uma estrada simples, porém bem cuidada e a paisagem bastante interessante, com tráfego baixíssimo para os padrões brasileiros. Ainda que os locais se apavorem quando vêm cinco carros próximos, no que consideram um tráfego intenso.
Nunca tivera o desejo de conhecer aquelas paragens por conta de informações que temos mil praias mais bonitas no Brasil e o blá-blá-blá de sempre. Assim, conheci Punta em viagem a trabalho, numa convenção. Bem, tive algumas surpresas iniciais:
- tráfego tranquilo, estacionamento facílimo;
- não há flanelinhas nas esquinas, nem gente querendo "tomar conta"do seu carro;
- não existem pedintes, mendigos;
- não se vê barracos, favelas, invasões (apelidos das favelas em lugares como Brasília);
- farofeiros? Não, exceto alguns restaurantes que montam elegantes tendas na praia e passam o dia a servir, quem desejar, de champagne a frutos do mar.
Passadas as primeiras impressões, e ainda assombrado pela simpatia e profissionalismo dos residentes, começam as novas e surpreendentes descobertas: na área de "mansões" onde ricos de todo mundo têm lindas residências, não existem muros. Nada impede um visitante de, caminhando sem obstaculos, chegar à piscina de alguém, ou participar do churrasco do vizinho. Impossível não pensar nos Jardins em Sampa, ou nas "mansões do lago", em Brasilia (como de resto no Brasil inteiro) em que cada casa mais parece um "forte Apache", um "bunker"com muros de 3 metros (eletrificado no alto), guarita com guarda permanente, sistema de TV e vídeo, guardas particulares nas ruas e o resto você sabe.
O susto maior é quando o convecem que não há criminalidade relevante por ali. Assim é que meninos de 14 ou 15 anos vão para as baladas e voltam com dia claro, caminhando pelas ruas, pegando caronas... e não há noticias assustadoras de assaltos, violências, etc.
Certamente, a natureza deu ao Brasil praias mais belas; mas a parte que coube ao homem, foi feita com mais competência ali, a duas horas de Sampa, mais perto que a Bahia...
-

17 de abr. de 2009

MAIS PAULISTANÊS (IV)

- "Pau" (ou pow): o dinheiro, sem plural, sem milhar ou milhão (se ligue no contexto):
--- Um café: 2 pau (R$ 2,00)
--- Um salário: 2 pau (R$ 2 mil)

--- Um assalto: 2 pau (R$ 2 milhões);

- "MonGANguá": Mongaguá, cidade do litoral paulista
- "AS direita": indicação para se entrar à direita
- "ShortS": Short (roupa curta)

- "Farol": semáforo
- "Camarão à Baiana": camarão com molho de tomate (voce já viu na Bahia?)
- "Virado a Paulista": bem, nada mais "mineiro" que a mistura de bisteca de porco, tutu de feijão, ovo frito, arroz, linguiça e couve
- "Feijoada Carioca": a mesma feijoada que se come no Brasil todo, mas apelidada "carioca" porque - na prática - é a única forma que o paulista come feijão preto.
- "Churrasquinho"(em bares e lanchonetes): sanduiche de pão com bife
- "Mutzarela": pronuncia ítalo-paulistana da muzzarela

- "Santos": "Vou a Santos" na prática, está dizendo que vai a algum lugar no litoral paulista. Quase nunca a cidade de Santos;
- "baiano": pessoa oriunda de qualquer lugar ao norte de Minas Gerais; o equivalente ao carioquíssimo "paraíba";
- "brigadeiro": a Avenida BRIGADEIRO Luis Antonio
- "faria lima": a Avenida BRIGADEIRO Faria Lima (a da foto, onde fica o Shopping Iguatemi). Sutileza, né?
-

CAMPO DA ESPERANÇA

Brasília, DF, tem algumas características especiais. O cemitério é uma delas. Cemitério? Isso mesmo, lá onde se mora até o infinito! A Necrópole...
Veja que normalmente cemitérios são "da Saudade", "do Redentor", "do Ghetsêmani"(remissão ao local onde se iniciou o sacrifício de Cristo), mas o de Brasília se chama CAMPO DA ESPERANÇA. Democrático, ecumênico e - como se percebe pelo nome - promissor, o campo da esperança brasiliense reserva um terreno igual para cada um, coberto de grama e um identificador padrão, como se vê na foto colorida por visitadores, num desses dias em que se homenageiam os finados.

A cidade nasceu da esperança.
Traqu
inagens à parte, que não ocorrem porque "a capital é Brasília", mas porque "a capital é em Brasília", como já foi no Rio e em Salvador. Pra onde for a capital, a traquinagem vai tentar ir junto... junto com o poder e a chave do cofre.
A cidade vive da esperança dos filhos dos pioneiros que lá chegaram de todos os cantos do País. E mesmo na morte, o Campo da Esperança é referência a uma pós-vida melhor, para os que vão tê-la.

PONTES

A Ponte do Rio KWAI"ainda é um belo filme e mereceu, de verdade, 7 prêmios Oscar da Academia de Hollywood, inclusive "melhor filme" e melhor diretor. O tema musical é inesquecível "assoviado". "Baixe"(vulgo download) e ouça :(http://audiko.net/ringtone/Temas+De+Filmes/A+Ponte+Do+Rio+Kwai?ring=10469 ).

Produzido em 1957, conta a história da 2a.Guerra Mundial, na qual um aristocrático coronel inglês (vivido por Alec Guiness) e sua tropa são aprisionados por japoneses e forçados a construir uma ponte (sobre o Rio Kwai, na Tailândia) para ajudar a passagem de tropas nipônicas. Orgulhoso, até arrogante, o coronel decide fazer a tal ponte muito bem feita, de forma a humilhar os japs e deixar clara a "superioridade britânica".

Rico em detalhes técnicos e humanos, além de interessante análise de relacionamentos/ conflitos humanos em tempos difíceis, tem no seu momento crucial um embate interno (que não conto o final, em beneficio de quem ainda não viu o filme), um conflito de consciência vivido pelo coronel dividido entre preservar a ponte tão arduamente construida ou destruí-la para não beneficiar o inimigo. Muito bom...

Lembrei-me do filme por conta do tema "PONTES" que - me dou conta ao rever as imagens que tenho alternado no meu blog - são uma "fixação" que eu tenho e, até onde me lembro, a raça humana também tem. Muitas cidades, muitas histórias, muitas lendas são associadas a pontes. Simbolicamente se traduzem por elos entre paises, povos, cidades, nações, famílias, corações... Devemos conhecer a ponte do Brooklin em New York, a Hercilio Luz em Floripa, A Tower em Londres, a estaiada Otávio Frias em Sampa, a Rio-Niterói (em ambas as cidades), a medieval Ponte Vecchio (Florença), a romana Trajan sobre o Danúbio (restam apenas fragmentos), a Golden Gate (San Francisco), Severn (perto de Bristol, UK), a Vasco da Gama (liga Lisboa a Montijo, sobre o Tejo) e - claro - a JK em Brasilia.

O ser humano gosta de pontes. Não só porque abreviam caminhos e embelezam paisagens, mas também porque, além de permitirem chegar a outro espaço, a outro promontório, têm o dom de ligar um tempo a outro (se bem tecida a trama).

10 de abr. de 2009

O Mundo Gira e a Lusitana "se muove"

O homem da Graneiro, depois o da Lusitana (“o mundo gira e a lusitana roda”), o da Confiança, um a um, representantes de empresas de mudanças chegam para fazer seus orçamentos, o que significa – acima de tudo – que a hora de partir está próxima. E não se trata apenas de mudar de apartamento, mas de vizinhança, de padaria, de porteiro, de caminho de volta pra casa: no meu caso atual devo mudar de cidade, de estado, de trabalho, de colegas e de amigos (que não se troca nem se muda, mas vai alterar o convívio!). Só permanece a internet com seus blogs e orkuts que – milagre do século XXI – nos mantém próximos e on line mesmo que geograficamente distantes.
Toda mudança exige um recomeço e recomeçar exige uma predisposição especial que, normalmente, diminui com o tempo. Enfrentar esse efeito do tempo tem esse dom de botar pra correr alguns neurônios acomodados em cadeiras de balanço.
Deixando as filosofias de lado, mudar dá uma “senhora” mão de obra. Tem que desligar a NET, a Telefônica, a luz, o gás (em São Paulo é encanado), o contrato de aluguel, a TIM, a VIVO e aqueles que a gente só se lembra depois... Cada um exige uma ligação para uma central telefônica (“disque 1 se quer isso, disque 2 se quer aquilo...”) e enfrentar – quando se consegue – uma extrema má vontade das pobres e “gerúndicas” atendentes de call Center que “vão estar verificando” e depois “vão estar enrolando”e assim vai. No destino, “vamos estar contratando” tudo de novo.
Evidentemente tem aquela história de remontar guarda-roupas e armários, mas tem a oportunidade de rasgar papel inútil, nos livrarmos de guardados inexplicáveis (papeizinhos e caixinhas guardadas faz anos que nunca serviram nem jamais servirão para nada), trocar de cachorro (epa, cão eu não tenho e se a Cathy ou Anelise lerem isso me matam) e o resto da história não preciso contar.
Vivemos tempos de Páscoa, que os Cristãos sabem ser o tempo do renascimento. Na tradição judaica, a Páscoa (ou Pessach) é a passagem do anjo da morte sobre o Egito, poupando os filhos doss escravos hebreus e dizimando os primogênitos egípcios, ato que se tornou um degrau fundamental à libertação daquele povo para que iniciasse a caminhada, longa caminhada, para refazer uma nação que, tantos mil anos depois, carece de reconstrução a cada dia.
Minha mudança é microscópica perto da Páscoa. Mas tem o "espírito do recomeço". Mudar, recomeçar, renascer, passar... Muitos verbos que traduzem a realidade da vida que é a exigência do movimento e do crescimento contínuos, para a frente a para o alto, mesmo quando os anos doem nas costas, nas juntas e tentam nos manter imóveis e abraçados ao status quo. "E pur se muove" ("e apesar dessas antas, continua se movendo" - numa tradução "muito" livre), como teria dito Galileu à saída do tribunal de inquisição onde fora obrigado - para salvar sua pele - a negar que a terra se move..
.
-

7 de abr. de 2009

KISS (DE VOLTA A SÃO PAULO)

Pelos comentários, o show do KISS em São Paulo foi redundante: mesmas canções, mesma pirotecnia, as mesmas línguas de fora, o mesmo sucesso e as mesmas caras-pintadas que há 35 anos encantam os fãs. Espaço lotado, super-lotado, indicando que devem ter agregado muitos fãs ao longo dos últimos anos. Mas sessentões e cinquentões, ao lado de filhos e netos, estavam lá curtindo um gosto especial de juventude.

No post de ontem dizia o seguinte (com uma pitada de maldade):


“ Pelo menos uma área vai estar hiper-lotada no show do Kiss em São Paulo nesta noite de 07.04.09: o estacionamento para idosos (Certamente já deu overbooking...).
Mas, falando sério, a demanda por ingressos parece que foi animadora. A banda, que no último domingo já havia tocado para 54 mil pessoas em Buenos Aires, toca hoje para um público estimado em 30 mil, no Anhembi (São Paulo).
O Kiss está comemorando 35 anos de criação, mas da formação original restam o baixista Gene Simmons, de 59 anos, e o guitarrista Paul Stanley, de 57 anos. Nesta turnê, Eric Singer (baterista) e Tommy Thayer (guitarrista) substituem Ace Frehley e Peter Criss, dois integrantes do núcleo original que estiveram no Brasil em 1999 e estão fora do grupo.
Tomara estejam em boa forma para afagar os esperançosos corações da galera de meia-idade que ainda curte aquele heavy metal, não sendo apenas mais um artista (ou grupo) em fim de carreira pescando uns últimos dólares aqui no Brasil. Alguns, arrastando-se nos palcos, expondo uma voz gasta pelo tempo, corpo alquebrado pelo uso, emoções falsas.”

PAULISTANÊS - parte 3- o arioporto

Hoje, 07 de abril, a caminho de uma reunião em São Paulo, com trânsito ruim (e tempo também, o que não é novidade), ouvia rádio no carro quando fui surpreendido pela bela voz de uma reporter contando sobre a situação do ARIOporto de Congonhas. Isso mesmo: ARI-oporto! Lembrei-me que para a maioria dos paulistanos falar AEROporto é uma tortura maior que falar "problema"... Independe de grau social, nível cultural, o que seja: porto de avião é "arioporto", assim como a cidade de Itanhaém vira ITANHANHEM na "boca do povo"(o de SP, claro). Mas, cá entre nós, nove entre 10 se enrolam mesmo é para falar METEOROLOGIA ou "condições metEOROlógicas"... Ai é um "Deus nos acuda!" Imagine agora a reporter, paulistana, falando sobre "as condições meteorológicas do aeroporto de Congonhas: "condições metEREO-lógicas do ARI-oporto..." -

CAMINHANDO

(PRA NÃO DIZER EU NÃO FALEI...)

Mesmo quem não se liga em futebol sabe – ao menos, por ouvir dizer – que o Santos da “era Pelé“ teve um dos melhores times de futebol em todo o mundo e em toda a história do futebol. Não só pelo Rei Pelé, mas pelo restante do time, que se não chegavam ao nível do rei, não faziam vergonha (Na foto, além de Pelé, Pepe e Coutinho).
Porém, quem era o técnico desse grande Santos? Muito pouca gente se lembra de Lula (outro! Não “o cara” do Obama), já falecido, que certamente era quem menos aparecia, apesar de ser o técnico do “grande Santos do rei Pelé”.
Mas o mundo foi mudando, mudando e a partir de um tal Vanderlei Luxemburgo foi inventada a figura do “técnico mais importante que o time”. Dai por diante, você se lembra que ”quem ganhou a copa” foi o Felipão, que o São Paulo tem Muricy, Parreira é quem vai “salvar” o Fluminense, o Mano é o recuperador do Corintians...
Porém, ocorreu outro evento pós-moderno: com Galvão Bueno inventou-se o “locutor esportivo mais importante que os jogadores e que o técnico”. E, claro, mais importante que os carros de Formula Um e os pilotos... Quem sabe, mais importante que a Rede Globo! Quando o evento é em São Paulo ou envolve times daqui, abaixa-se o som da TV e liga-se um rádio... Mas quando é preciso ouvi-lo...
Dia desses, conversando com Emilio Neto, nos recordamos do período em que Galvão ajudou, voluntária ou involuntariamente, a difundir a lenda que a Ferrari vivia em função de “sabotar o Rubinho” e chegou a insinuar um boicote à Fiat/Ferrari. Gente, como é chatinho esse Galvão! Como fala, como dá opinião, como repete seus pontos de vista! E a gente sabe que quem fala demais acaba dando bom dia pra cachorro.
Sabe, dá a impressão que ele ganha por palavra pronunciada ou por som emitido. Será isso?

-

GUERRA E PAZ

Vivemos em um mundo cheio de conflitos, principalmente mentais, como todos nós sabemos desde sempre! E muitas vezes eles fazem da vida neste planeta um espetáculo de circo-mambembe-amplificado que nem o mais genial palhaço criaria, na sua eterna tentativa de fazer rir por meio de ampliar o absurdo.

No último sábado tivemos um exemplo, não o maior, mas uma amostra desses desatinos da raça humana. Um grupo de “militantes pacifistas”, participantes de uma manifestação contra a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, ateou fogo em um hotel perto da Ponte da Europa, em Estrasburgo. Veja bem: manifestantes, pacifistas, atearam fogo em diversos estabelecimentos comerciais da cidade... Um posto da polícia também foi incendiado. Ah! Também saquearam uma igreja. Tudo pela Paz.

Na peça “O Homem de La Mancha”, os compositores Joe Darion e Mitch Leigh criaram o “Sonho Impossível” (cuja versão para o Português é de Chico Buarque) e um dos versos que chegam à mente, ouvindo- em sonhos - a voz bela e grave de Bethânia é este:

“É minha lei, é minha questão / Virar esse mundo / Cravar esse chão / Não me importa saber / Se é terrível demais / Quantas guerras terei que vencer / Por um pouco de paz”.

Quixotescos ou circenses, em episódios assim nos damos conta que nossos desorientados meninos são guerreiros em busca de uma causa, mas capazes de transformar em batalha até mesmo um ato pela Paz. Talvez fossemos menos imbecis quando nos restava escolher um dos lados na “guerra fria”, entre o “ocidente capitalista” e o “oriente comunista”, situação que gerou essa mesma OTAN. Talvez!


”E amanhã, se esse chão que eu beijei / For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar / E morrer de paixão
E assim, seja lá como for / Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor / Brotar do impossível chão.”

-

3 de abr. de 2009

Barnabé fica quieto...

A proximidade de reassumir funções conquistadas por meio de concursos públicos (e muito trabalho) no governo, mesmo depois de 9 anos fora, nos obriga a recuperar algumas regras legais e, em igual nível, certos padrões éticos requeridos por esses cargos e funções (por menos importantes que sejam as funções ou quem as executa, como este bípede blogueiro), sobre o que não há como tergisversar. Evidentemente devem sair de minha pauta certas críticas ao setor público, ao setor privado e mesmo ao chamado "terceiro setor" (ONGs, por exemplo), em qualquer instância que não seja no âmbito interno e, mesmo assim, respeitadas as hierarquias. Por isso, desde o inicio do mês deixei de expressar minhas opiniões sobre Economia no site "www.cambiosdobrasil.com.br" e, da mesma forma, neste blog, esse tipo de assunto será evitado. E isso não é antidemocrático eis que, com o crachá de um organismo público a opinião de cada um pode facilmente ser confundida com "opinião oficial", o que não é bom, certo? Claramente trata-se de um dos ônus do ofício.

29 de mar. de 2009

Guns, Roses e cabelos ralos

Todo sabadão vale um passeio na Cultura do Conjunto Nacional (SP). Pra quem não conhece, é “grande”… até para os pouco modestos padrões de Sampa é um espaço graaaaaande, onde se vendem principalmente livros, discos, DVD, blue-ray, etc. Os CDs são divididos por sessões e a que chamou minha atenção, sábado último, foi a área dedicada a Heavy Metal: muita gente lá, mas pra minha surpresa (coisa de gente desligada) cheio de barrigudinhos(as), carequinhas naturais (ou cabelos vermelhos, nem tão naturais!), em suma, um pessoal com filhos já adolescentes, já vestibulandos... Gente que já foi a muita festa de 40 anos. Da sua própria turma.
--Moooor! Olha essa edição da Mettalica! Ao que ele responde:
--Você viu que tem em LP também? (de no
vo na moda o velho bolachão preto, evidentemente para colecionadores).
Enquanto um sujeito fortemente maquiado olhava com paixão e olhos marejados uma capa de Alice Cooper, sumiam os CDs de Iron Maiden e MotorHead, provavelmente por serem os últimos a visitar São Paulo. Menos
votados, mas imponentes no expositor, brilhavam ainda Led Zeppelin, Black Sabbath, AC/DC, Guns & Roses e Deep Purple, São os que me lembro, com surpresa, porque viraram história (boa história, na maioria).
Beatles? Na sessão de musica clássica... Rs.


-o-

26 de mar. de 2009

PIZZA CANDANGA

Quando o inverno chegar – se derem certo meus humaníssimos planos – serei mais um “candango”, nome pelo o qual se designa qualquer um que viva no DF sem lá ter nascido. Os nativos de lá são brasilienses. Mas não serei totalmente um “forasteiro” lá no “quadradinho” (o DF – veja o mapa) pois habitei aquelas plagas entre 1978 e 2000.
Conheço bem a área e os costumes, desde o hábito de dar preferência aos pedestres, o que me obriga a esquecer os maus modos paulistanos nesse particular, até o serviço horroroso de bares e restaurantes, entre outros. O que costuma dar uma saudade imensa de São Paulo.
Mas isso significa que, quando o inverno chegar, cada vez que voltar a São Paulo vou me sentir um forasteiro. Vou estranhar de novo o sotaque, o jeito ítalo-paulistano de pluralizar o “chopes” e o “shortes” e singularizar os “dez real”, ou os “dois pastel”. E, claro, “cinqüenta páu”. Vou estranhar, de novo, o frio de julho e o “puta” calor de dezembro (se aos portugueses “puto” não é um palavrão mas apenas a forma de se referir a um filho, em SP é sinônimo de “bem grande, imenso, intenso”).
E, no DF, vou ter que ouvir a velha história que em Brasília já se faz uma pizza tão boa quanto a de SP. Vou (de novo) fingir que acredito e, com o tempo, alegar que não gosto de pizza... É que nunca é verdade que tem pizza boa lá!
-o-


22 de mar. de 2009

Poemas leitores

Muitas vezes demoro a entender o que eu mesmo escrevi.
Hoje, enquanto lia alguma coisa (alguma que é "muita coisa") de Mário Quintana, deparei-me com essa definição:
"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"
Isso me ajudou a me entender...
Entendeu?

21 de mar. de 2009

OUTONO, AQUI

Ontem começou o Outono cá no sul do mundo. Já confessei que prefiro o Outono do hemisfério norte da Terra (se desejar, leia aqui) e não posso renegar isso agora. Mas por aqui também tem seu valor e o primeiro bom sinal foi chegar acompanhado de uma sensível rebaixa na temperatura que andava insuportável - ao menos em São Paulo - nas últimas semanas.
A verdade é que todas as estações deveriam ser bem recebidas por nós, especialmente as estações da vida. Gosto de pensar que estou no meu Outono o que me dá liberdade com as cores, uma oportunidade de renovação, de recomeço, de refazer... sem que se possa (ou queira, ou precise) voltar atrás na linha do tempo.

(a foto é de Taylors, SC, EUA - em frente à casa da Ise, Emilio e Sassapeca - em 2007)

19 de mar. de 2009

Cartão de Torcedor - acredite, se quiser

Alguém, nem sei quem, está propondo (acredite, se quiser) o cadastramento de torcedores de futebol, bem como a criação de um "cartão de identidade" como condição para entrar em um estádio partir de 2010. E dada a seriedade de nossas autoridades, devemos supor que estudos avançadíssimos levaram à conclusão que a emissão de uma carteirinha é condição suficiente (e necessária) para evitar a ocorrência de atos de vandalismo, violência, indecência, intolerância, etc.
Apoiado, apoiado com louvor. É isso mesmo que o Brasil precisa! Desde que, é claro, não se limite a isso. Não é só o futebol que carece dessa milagrosa opção... Deveríamos também criar carteirinhas específicas para que as pessoas possam participar de atividades coletivas como:
- Participar de bailes funks (e similares);
- Comparecer aos cultos da Igreja Universal;
- Assistir às missas do Padre Marcelo;
- Participar de carreatas políticas e religiosas
- Curtir dias de sol (ou chuva) numa praia;
- Participar de shows musicais no Ibirapuera;
- Integrar-se a velórios e enterros de celebridades;
- Entradas em restaurantes, cinemas, bares, boates e cabarés
Imagine que maravilha: para cada atividade uma carteirinha específica. E todo o país estaria livre da violência, da bagunça, da corrupção...

-- Alô, é da TAM, quero uma passagem pra Fortaleza
-- Pois não, mas, para adiantar, o senhor já tem “carteira de passageiro de avião”?
-- Claro, assim como “carteira de acesso ao aeroporto” e de “ingresso em Fortaleza”. E adianto que no poupa-tempo consegui todas as carteiras em apenas seis meses...
-- Muito bem, mas o senhor tem carteira de praia?
- -Sim...
-- Pra tomar cerveja? Cartão de comer caranguejo? Tomar sol na cabeça?
-- Sim, todas, todas...
-- OK! Mas se o senhor quer apenas “uma” passagem é porque não vai acompanhado. Pretende arranjar namorada em Fortaleza? Já tem “Cartão de Candidato a Namorado"?
...
Ajude: pense em mais algumas circunstâncias que poderiam gerar exigência de cartões específicos e vamos juntar sugestões às autoridades do Brasil. Pode escrever, não precisa um cartão especial para isso (por enquanto!).
-

18 de mar. de 2009

ELE VOLTOU...

Depois de mais de seis anos em casa, sem nunca ter tido um único resfriado, o velho MAC precisou ir pra oficina dar uma ajustada. Voltou com cinco vezes mais memória, extremamente veloz e livre de algumas idiossincrasias e TOCs que eram característicos.

Andei sentindo falta do velho companheiro, sempre alerta nas minhas madrugadas insones, sempre pronto a acolher meus pensamentos e registros, publicáveis ou não. Já suportou livros inteiros, cartas pra muita gente, e-mails infinitos... Exibe agora a garra do Leopard e as novidades do Office 2008 que a Microsoft faz especialmente para os modelos MacIntosh - Apple. To feliz, gosto dele e tenho essa maluca sensação que ele gosta demim...

17 de mar. de 2009

Parto


Cruzo em passos moucos esse vale estranho,

Sem cena visível, audível ou sonhável,

Vale sem dores, penumbras, odores, catacumbas!

Sem Vida!

Esse o vale sem morte,

Vale sem sorte,

Meu vale!

Minha fenda escarlate cravada no centro

Fundida no calor do malho do ferreiro

Nas patas ligeiras do alazão do tempo,

Cujo nomeé MEDO,

Medo de voar!

-


7 de mar. de 2009

Paulistanês parte 2 - Tercio aprende a língua

Tercio veio passar uma temporada em São Paulo em 2004. “Temporada” que se transformou em “ano sabático” e, finalmente, em “dois anos sabáticos", no embalo das greves da UnB – Universidade de Brasília, que ele aproveitou para estudar música e, também, desenho na Escola Panamericana (Confesso que adorei a companhia).
Nascido e criado em Brasília, suas maiores dificuldades iniciais foram aprender a se mover no trânsito e na esquisita geografia paulistana e, surpresa, entender certas peculiaridades da língua local (o Paulistanês).
Certa ocasião, alguns dias depois de chegar, disse que havia aprendido uma coisa interessante: sempre que se diz “obrigado” a um paulistano ele responde “obrigado eu” ou “obrigado você” que, em Paulistanês significam exatamente a mesma coisa (e que seriam facilmente substituídas por um “por nada”, ou “de nada”). Mas tudo bem, até que ele resolveu adotar o “obrigado você” para responder a agradecimentos. Ai ele foi surpreendido com outra peculiaridade da língua local. Veja o diálogo:
-- Obrigado!
-- Obrigado eu!
-- Obrigado eu, você!
Ai ele se entregou: havia perdido a parada do agradecimento... E ri disso até hoje!


-o-

4 de mar. de 2009

Paulistanês, uma língua própria

Cansa um pouco ouvir certas histórias de paulistanos, principalmente contadas por cariocas (“um chopes e dois pastel” é a mais antiga e - reconheçamos - verdadeira!), como é o caso do “testemunho” que quase todos eles (cariocas) gostam de dar sobre o suposto fato que qualquer paulistano, quando lhe pedem orientação de trânsito, ensina errado. Vamos esclarecer essa história de uma forma simples: pra falar com paulistano tem que conhecer a língua local.
Suponha que você queira saber como ir do “Bexiga” (onde você foi almoçar numa cantina que turista acredita ser italiana), para o cemitério da Consolação (apreciar obras de arte em cemitério - como a da foto - programa de turista, que paulistano detesta). A resposta vai ser do tipo:
-
"ó meu, toca em frente até a brigadero, como se fosse no rumo do paraíso ou do arioporto, mas faz o revorteio às esquerda depois do farol da brigadeiro. E volta nesse rumo mesmo. Daí cê pega as direita no segundo farol e as esquerda no outro farol e vai no rumo do minhocão. Mas num pega ele (o minhocão) sai as direita já se preparando pra entrar às esquerda do lado da igreja da Consolação. Se você errar ali, vai parar no centrão da cidade... Daí ce sobe a Consolação mas num esquece de evitar a faixa do ônibus; num tem mais o busão no contrafluxo, mas o pardalzinho vai te multar. Lá em cima você vê o cemitério e tem uma área de parar o carro."
TRADUZINDO:
- “siga em frente, rumo Aeroporto ou (bairro) Paraíso, até o cruzamento da avenida Brigadeiro Luis Antonio. Ali faça o retorno após o semáforo e continue por esta mesma via, até o segundo semáforo. Lá entre à direita e no semáforo seguinte tome a esquerda até a via elevada, na qual você não deve entrar, permanecendo na pista da direita até o semáforo seguinte, já na esquina da Avenida da Consolação (você poderá ver a Igreja da Consolação à sua esquerda). Entre à esquerda na avenida e evite a pista exclusiva de ônibus porque radares multam quem usar essa faixa. Logo adiante você avistará o cemitério e a área de estacionamento ao lado”. Viu como é simples?

DETALHE: Na área de estacionamento do cemitério da Consolação está escrito “exclusivo para usuários deste cemitério” BRRRRRRRRRR
-
NOTA: ACEITEI - DE BOM GRADO - A SUGESTÃO DA PROFESSORA MARIA LAÇALETE E TROQUEI PAULISTÊS POR PAULISTANÊS. ESSA É A FORMA CORRETA.
-

1 de mar. de 2009

AS VERDES FOLHAS DE VERÃO

Agora é de verdade. Meu retorno a Brasilia está próximo, depois de quase 10 anos em São Paulo. Lembrei-me da canção que postei ai embaixo, porque além de reconhecer que há um tempo de voltar, a canção fala das verdes folhas de verão e a Capital Federal está entre as cidades mais verdes do Brasil (pelo menos na estação das chuvas). Na foto acima, o parque da cidade!
A tradução pode não ser um primor de literatura mas dá uma boa idéia do contexto.
(Há algumas versões no Youtube. Sugiro aquela cantada pelos Brothers Four, encontrável em
http://www.youtube.com/watch?v=mNGtxVyeOFY )

GREEN LEAVES OF SUMMER
(Paul Francis Webster / Dimitri Tiomkin)

A time to be reapin’, a time to be sowin’.
The green leaves of Summer are callin’ me home.‘'
T'was so good to be young then, in a season of plenty,
When the catfish were jumpin’ as high as the sky.
A time just for plantin’, a time just for ploughin’.
A time to be courtin’ a girl of your own.
‘T’was so good to be young then, to be close to the earth,
And to stand by your wife at the moment of birth.

A time to be reapin’, a time to be sowin’.
The green leaves of Summer are callin’ me home.
T’was so good to be young then, with the sweet smell of apples,
And the owl in the pine tree a-winkin’ his eye.
A time just for plantin’, a time just for ploughin’.
A time just for livin’, a place for to die.
‘T’was so good to be young then, to be close to the earth,
Now the green leaves of Summer are callin’ me home.

UMA TRADUÇÃO LIVRE:
FOLHAS VERDES DE VERÃO

Um tempo pra recolher, um tempo pra semear.
As folhas verdes de verão me chamam de volta pra casa.
Era tão bom ser jovem, então, um tempo de abundância,
Quando o CATFISHes saltavam alto como o céu.
Um tempo só para plantar, um tempo só para arar.
Um tempo para cortejar uma garota só sua.
Era tão bom ser jovem então, estar perto da terra,
E estar ao lado de sua esposa enquanto ela dá à luz.

Um tempo de recolher, um tempo de semear.
As folhas verdes de verão me chamam de volta pra casa.
Era tão bom ser jovem então, com o doce cheiro das maçãs,
E a coruja no pinheiro piscando seus olhos.
Um tempo só para plantar, um tempo só para arar,
Um tempo só para viver, um lugar para morrer.
Era tão bom ser jovem então, estar perto da terra,
Agora as folhas verdes de verão me chamam de volta pra casa.
Era tão bom ser jovem então, estar perto da terra,
Agora as folhas verdes de verão me chamam de volta pra casa.

(Essa canção foi tema do filme “The Alamo” - 1960)

Fonte: http://detudo.alef3.com/index.php/categoria/filmes