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11 de jun. de 2011

Viagens - Aeroportos

Hesitei bastante, pela repetição, mas decidi contar que em março último voltei à China, pela terceira vez em pouco mais de seis meses. Parece carma! Novamente a serviço, novamente via Dubai, novamente uma canseira imensa e um aprendizado maior ainda.

Dessa vez, em face à proximidade da Copa do mundo, das Olimpíadas e outros eventos, menos votados, mas também internacionais ( Rio + 20, Olimpíadas do Exercito, etc.), andei prestando mais atenção aos aeroportos, a começar de Cumbica (Guarulhos, SP) que nos surpreende a cada passada por lá: os deuses do caos devem fazer dali o seu "point", seu local de paquera, lugar de jantar e passeio. Nem precisa descrever porque quem passou por ali, uma vez que seja, já sabe como é. Parece que nada funciona direito ali!

Dubai nem pode ser considerado um exemplo porque seu aeroporto luxuoso, rico, deslumbrante, (imagens à sua esquerda) não pode e nem deve ser replicado em um País como o nosso ainda carente de muita coisa. Está além do sonho... Mas o aeroporto de Pequim (imagens à sua direita), construido sem luxo e em grandes, enormes, imensas dimensões, pode ser uma boa referencia para o Brasil porque, longe do luxo de Dubai, ganha em eficiência e funcionalidade. Um exemplo: chegamos com nosso imenso Airbus A 380 da Emirates, simplesmente o maior avião em operação no mundo e fomos recepcionados com 3 fingers (que se acoplaram à aeronave em 2 ou 3 minutos) para dar rápida vazão aos mais de 500 passageiros. Em 10 minutos após o pouso estávamos entrando em um trem que, em alta velocidade, nos levou a outro ponto do aeroporto em cinco minutos, onde (acredite!!!) as nossas malas já nos esperavam. Pareceu mágica... Imigração e aduana rapidíssimos e, menos de meia hora depois do pouso, estávamos na rua, a caminho do hotel, passando por muita neve acumulada nos dias anteriores e a China de sempre. Pessoas treinadas, organograma e fluxograma eficientes.

Dubai tem um aeroporto grande e luxuoso; o de Pequim é muito grande e não é luxuoso. Chega a ser simples, mas bastante confortável. Mas o que eles têm em comum é o "software", digamos assim, referindo-nos à eficiencia na operação dos terminais. Mais importante que serem grandes ou pequenos, luxuosos ou simples, fica claro que é fundamental que funcionem e bem. Que cada trabalhador saiba o que fazer, com eficiência e rapidez. Que não se percam duas horas na fila da imigração - como é comum ocorrer em São Paulo - nem haja fila para uso de banheiros sempre sujos e quebrados e/ou sem papel. Que não tenhamos que entrar em uma fila de 20 pessoas para tomar um café mais caro que em qualquer outro lugar do mundo, acompanhando um pão de queijo a preço de camembert.

Imagino que seja possível construir novos galpões, novos fingers, novos balcões de check-in, etc., a tempo para os grandes eventos que se aproximam (por mais que ache que merecemos as melhoras, independente de copas e olimpíadas), mas o que se precisa investir muito, desde já, é na operação, no treinamento de pessoal, na elaboração dos fluxos de operação e controle, no "software" dos aeroportos.

11 de jan. de 2011

A 380 - QUE AVIÃO !!!

Voar no A-380, o maior avião do mundo, é uma experiência inesquecível. A começar pelos 3 "fingers" ou pontes, necessários para colocar todos os passageiros para dentro (e depois para fora) sem uma perda de tempo absurda se fosse um só, como se usa para os demais aviões. Portanto, já o aeroporto requer um preparo especial para acomodar o 3-80ão.. Nesses da Emirates que utilizamos, todo o andar superior contem as poltronas da Primeira Classe e da Executiva. Na parte de baixo fica a classe econômica, ou turística. Na configuração da Emirates (dado sujeito a confirmação) acomodam-se 550 passageiros, mas o mesmo avião, se totalmente em classe econômica, pode levar mais de 800 pessoas. Então, imagine agora chegar um monstro desses a um aeroporto brasileiro, tirar todo o povo de dentro, entregar a mala de cada um e arranjar táxis para que cheguem a seus destinos. ai, ai , ai , ai ,ai! E se 10% dos passagens quiserem ir a um banheiro, o caos será instaurado, sem piedade!!!
Esse Airbus é uma estrutura gigantesca. Quando rola na pista para alcançar velocidade e decolar, parece um prédio se movendo lentamente. Quando salta no ar, em movimentos delicados e quase imperceptíveis sem a ajuda visual, transmitem uma segurança como nenhum outro aeroplano, sem trepidar, sem vacilar, sem inclinar, ao menos de forma perceptível. A arrumação de bordo (configuração) é a melhor possível, com poltronas confortáveis, espaçosas, com serviço de entretenimento super completo com filmes, séries, jogos e leituras. Já o serviço de bordo da Emirates fica alguns furos abaixo desse glamour e tecnologia de ponta, com serviçais de bordo não muito atenciosos e comida apenas correta. Compensa, no caso do a A380, um grande bar no fundo do avião, com um ambiente gostoso para papear e esquecer que está voando. Para avaliar o A 380, voamos 2 trechos de 6 horas cada um, ida e volta, entre Dubai e Pequim. Para avaliar a Emirates, acrescentamos dois trechos de 14 horas cada um, entre São Paulo e Dubai. Mas fique tranquilo que ela (a Emirates) não é nem um pouco pior que as aéreas nacionais ou as americanas que atendem o Brasil.

Viagens (VII) - conhecendo DUBAI

Passamos por Dubai, nos Emirados Árabes Unidos-EAU na ida e na volta da viagem à China. Na ida, apenas a visão do aeroporto de tamanho descomunal, onde o conjunto das salas vip já é maior que o nosso aeroporto de Cumbica inteiro. Um luxo! Na volta, como chegamos no sábado, optamos por passar o fim de semana (sem custos para o empregador, claro) conhecendo um pouquinho de Dubai. Estavamos dois do Ministerio da Fazenda: Marden e eu (na foto dentro do avião).

Dubai é um dos sete emirados (unidos) e a cidade mais populosa deles, com aproximadamente 2.2 milhões de habitantes. Quer dizer, a população do Uruguai, ou, um pouco menos que Brasília. A cidade de Dubai está localizada ao longo da costa sul do Golfo Pérsico, na Península Arábica, na Ásia.

Dubai é um conjunto de obras faraônicas (como lá não tem faraó, talvez devêssemos chamá-las "emirônicas", já que se trata de um emirado), prodígios de verdade, no meio de um deserto e a beira mar. Cidade internacional, com trabalhadores oriundos de mais de uma centena de países (um dos orgulhos locais), mescla visitantes exóticos (gente do Brasil, por exemplo) em trajes sumários com senhoras no tradicional recato que lhes impõe o uso das burcas.

Shoppings e Malls luxuosíssimos - um deles tem uma estação de esqui (foto abaixo à direita) onde neva e se pode escorregar num trenó, ou esquiar, mesmo que lá fora a temperatura chegue a 50 graus - onde se pode comprar tudo (ou quase tudo) de qualquer lugar do mundo (ou de quase todos...).

Uma das visões mais impressionantes de Dubai, sem dúvida, é o Burj, Kalifa, o edificio mais alto do mundo, com um mirante (acessível por elevador, que ninguém é de ferro) a 550 m de altura. Verdade que se avista muito mais deserto e mar que qualquer outra coisa, mas que impressiona, impressiona! Impressionam também as ilhas artificiais, uma compondo uma imagem de uma palmeira, outra desenhando um mapa mundi, mas que não se admira plenamente desde o chão (ou mesmo do mirante lá do Burjão), mas se revelam magnificas vistas do avião (primeira foto no alto à esquerda - clique para ampliar). Nelas se constroem casas para milionários de qualquer parte do mundo.

A hotelaria é de primeiríssima linha e os preços são acessíveis, ao menos na época em que passamos por lá (outubro, baixa estação). E apenas nos hoteis se pode tomar bebidas alcoólicas, porque nos restaurantes de rua ou nos shoppings, álcool zero. Restaurantes também excelentes, principalmente nos hoteis, a preços mais baixos que no Brasil, para dizer o mínimo.

O calor é brutal. Na prática há que se tentar passar a maior parte do tempo em áreas com ar condicionado, ou seja, nos interiores de hoteis, shoppings, restaurantes, etc.

O que mais gostei? Fácil: no trecho Dubai-Pequim, na ida e na volta, viajamos no A380, o maior avião do mundo. Mas isso vale outro post!

(clique sobre as fotos para ampliar)


27 de fev. de 2010

BOA VIAGEM

Ali, próximo ao portão de embarque, aguardo impaciente a chamada para, finalmente, entrarmos no avião atrasado e seguirmos viagem. A funcionária da TAM (ou da GOL, tanto faz) nos olha a todos, de cima para baixo com uma certa vontade de matar um a um (funcionário de empresa aérea, em regra, parece odiar passageiro, esse ser indigesto que vem atrapalhar seu horário de trabalho) e, enfatizando sua autoridade, determina:
"
--- Deverão embarcar primeiro as "prioridades" ( e logo se presta a esclarecer quais são):
- crianças acompanhadas (supõe-se que seus respectivos acompanhantes podem acompanhá-las) e desacompanhadas;

- senhoras gestantes (e acompanhantes, claro);
- passageiros com dificuldade de locomoção (e acompanhantes, evidentemente. Quem os deixaria viajar a sós?);
- passageiros da "Melhor Idade" (antigamente chamados coroas, anciãos, velhotes, etc.)
- passageiros com cartão azul e dourado;
- passageiros com cartão de crédito Itaú-Bradesco série rosa;

- torcedores do Asa de Arapiraca...
(Todos acompanhados de que? de acompanhantes)

Quando me dou conta, sobrei! Sou a única "não prioridade" para embarque.
Penso em mancar um pouco, pedir uma criança emprestada, um bebezinho pra levar no colo.... é tarde! Todos já se arrumaram e novamente serei o último a entrar. Tudo bem, já que tenho lugar marcado.

Finalmente passo o portão, entrego meu cartão de embarque e ouço a informação cada vez mais comum nos embarques nacionais: "Neste vôo, os assentos serão de livre escolha do passageiro"... Para quem não está acostumado, isso quer dizer que perderam o controle da marcação de assentos e será um "salve-se quem puder". Claro, último a entrar, adeus opções: acomodo-me entre um cavalheiro obeso que nem deve saber
seu peso - já que as balanças normais só permitem até 200 kg - e uma simpática jovem mamãe com seu pequerrucho chorão no colo. Ah! precisei também levar minha maleta sob os pés porque, o último a entrar não consegue lugar "acima dos assentos" na chamada chapeleira, o local que deveria ser o destino normal da minha pasta.
E boa-viagem!

21 de set. de 2009

SOBRE VOAR

Certamente já tenho algumas horas de vôo a mais que boa parte dos pilotos em atividade. Raras as semanas em que não entro, ao menos uma vez, em um avião e, às vezes, ocorrem alguns exageros como na primeira semana de setembro em que tomei 8 aviões, voei (pouco, na verdade) umas 18 horas, gastei outras 20 em aeroportos, de quatro países, todos sul-americanos. Mas, claramente, não tenho medo de voar (de avião...), porém não considero isso nenhum ato de bravura ou valentia.
Acho que corajoso é quem, mesmo “se pelando” de medo de avião, embarca e realiza os vôos necessários ao seu trabalho ou lazer. No meu caso, por ser tomado dessa absoluta e tranquila indiferença a estar voando ou no estar no rés do chão, não há mérito algum. Irresponsabilidade, talvez!

Coragem é a decisão de ir em frente mesmo quando se tem medo.

2 de ago. de 2009

EMILIO NETO E O GALO QUE SITIU

O hoje Pastor Emilio tinha três anos quando elegeu seus primeiros ídolos da TV - sem qualquer acompanhamento dos pais - o que gerou um problema! Certa tarde (imagino que fosse sábado, já que estava em casa) começou a pedir insistentemente o "galo que sitiu" sem que pai ou mãe pudessem entendê-lo, o que lhe trouxe um certo desespero até que percebêssemos ser alguma coisa na TV. Ligada, mudamos continuamente de canal até que ele voltasse a ostentar seu imenso sorriso (o mesmo que hoje o caracteriza) e apontasse, na TV, o tal "galo que sitiu".
Ufa, que alívio!!! Era um desenho animado chamado GALAXY TRIO, composto por três heróicos combatentes do crime intergalático: Homem Vapor, Mulher Flutuadora e Homem Meteoro. O cartoon foi criado por Alex Toth em 1967 e teve 20 episódios produzidos por Hanna-Barbera! De olhar fixo na tela, deliciava-se com a música e a ação
, fazendo um break antes do próximo e inevitável pedido: ir ao aeroporto ver aviões. E, pra quem não sabe, esse gosto equivale a um exame de DNA para paulistanos, que não têm a opção da praia. E ele é!!! Lembrei-me dessa história porque, dia desses, consegui um DVD com os filmes-desenhos dessa série e, exatamente hoje, ele deve recebê-lo, como presente de aniversário, lá no Mississippi (4"s", 4"i" e 2 "p"), levado pelo seu cunhado Guilherme, o Gui, irmão caçula da Anelise que vai passar uma temporada com eles lá nos States.
-o-

8 de jun. de 2009

Lágrimas sobre o Atlântico

O trauma decorrente do voo da AirFrance que chegou a destino não previsto (no plano humano), não desejado e, acima de tudo, trágico, é similar, na dramaticidade, às operetas trágicas das grandes conquistas, por exemplo, as buscas de novas terras. Fernando Pessoa contou isso em versos de grandeza tão elevada quanto a mágoa implícita em cada letra. Versos que equilibram beleza e dor, encanto e sofrimento:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Apesar disso, a consciência que grandes conquistas produzem, mesmo que de forma aleatória, grandes tragédias, induz o poeta a gravar em versos sua certeza que essas tragédias não podem e não devem trazer o medo de voar, o medo de sonhar, o medo de ousar. Por mais inconsoláveis que estejamos nós, pais, filhos, amigos, noivos e por mais respeitável que seja a dor de cada um.

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Pois, desta vez, os céus espelharam as tragédias dos mares.

1 de jun. de 2009

O AIRBUS DA AIR FRANCE

Começamos junho com a triste noticia do desaparecimento de um avião da Air France que saiu do Rio de Janeiro no rumo de Paris. Passamos a manhã torcendo por um milagre como aquele conseguido (recebido?) por um piloto da US AIRWAIS em janeiro deste ano (veja aqui). E por que nos envolvemos tanto, emocionalmente, com acidentes aéreos?
Creio que, em primeiro lugar, porque somos minimamente sensíveis às tragédias humanas, por mais que elas sejam comuns no nosso cotidiano de tantas informações recebidas de todo o mundo. Em segundo lugar, os acidentes aéreos nos chocam mais (inegavelmente) que os de trem, ônibus, navio, etc., talvez porque o avião, com pouco mais de 100 anos de existencia e ainda menor tempo de uso como transporte de massas, provavelmente ainda não se incorporou na nossa genética... Ainda é algo misterioso que nos fascina e ameaça, que nos atrai e apavora. Que representa uma travessia para um momento feliz, ou um atalho para o fim.

23 de mai. de 2009

Nórinho Shioga pilota Boeingão

No mês passado andei dando uns cascudos na Gol. (Veja aqui, parte 1 e 2). Ontem, 6a.feira, 22.05.09, lá estava eu, acompanhando alguns colegas mais graduados do BC, ao cabo de um dia de trabalho em SP, entrando uma vez mais num novissimo boeing da Gol-Varig, pintado com as cores da Varig.
Um passo dentro do avião e o comandante aponta para mim dizendo: "eu o conheço"! Sem nenhuma esperança de reconhecer o simpático japa balbuciei algo idiota como "que bom!" e êle continuou: "Voce é o Emilio... Eu sou o Nório, lá de Ipaussu". Pronto, reconheci o "figura", o Nório Alberto, pessoa querida, filho de pessoas queridas: Vera e Nório Shioga, este meu professor de ciências do 1o. e 2o. grau, já falecido.

O comandante, mais novo que eu, aprendi a admirar pela sua obstinação e por sua luta tenaz para chegar ao posto que ora alcançou: comandante de Boeing 737. E sei que sua luta continua para permanecer ou evoluir nesse rumo. E neste ramo... Convidou-me à cabine onde falamos rapidamente de familia, Ipaussu, saudades, situação atual de cada um. E ficamos na esperança de novos encontros.


Curiosidade: Há registros - reais - de pelo menos uma visita de Santos Dumont a Ipaussu
, no inicio do século XX. Anos depois, o Basilinho (leia sobre ele aqui) é engenheiro da Embraer e o Shioga é comandante de boeing (sem piadas sobre pilotos japoneses, por favor. Os falados são os de automóveis de corrida, não os de aviões). Terá O Sr. Alberto Santos Dumont impregnado a terra de idéias voadoras?
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23 de abr. de 2009

Aviação - Parte 3 - detalhes tão pequenos

Continuando nossa "série" resmunguenta, falamos da TAM que tem suas (digamos) características próprias. Modernizou-se: hoje se faz o check-in no computador de casa, pela internet. Se não dispomos de impressora, basta ir a um dos totens da TAM no aeroporto, inserir seu CPF e em segundos terá seu cartão de embarque à mão. Tudo muito bom, a não ser que você precise despachar uma mala: ai todo o esforço pré embarque é jogado no lixo, sem dó e o passageiro terá que enfrentar a mesma fila que aqueles que não fizeram check-in de casa, nem imprimiram cartão no totem. Deve-se sempre programar, pelo menos, 50 minutos para o mísero despacho de malas, porque, principalmente em Brasília, recusam-se a deixar um posto apenas para despachar a mala de quem já fez check-in. Perguntei a alguém tido como gerente da TAM (em Brasília) o porquê disso: respondeu-me que uma espera de 40 a 50 minutos (apenas para despachar as malas, já que todo o trabalho de check-in, marcação de assentos, você já fez de casa) é “normal” e que, por isso, não se justifica (opinião dele) abrir um dos 10 postos fechados, apenas para despacho de malas. E sistematicamente, pouco antes da hora de cada embarque, ficam os tresloucados empregados da TAM gritando pelos passageiros do tal voo, idiotamente colocados na imensa fila.
Herdaram um pouco da tola (e fatal) arrogância da Varig, sem, no entanto, herdar a classe da velha empresa. Claro que o passageiro preferiria usar esses 50 minutos para tomar um café, comprar uma revista, ir ao banheiro... Mas a TAM decidiu de forma distinta!


AZUL, WEB JET, Oceanair e outras nanicas que estão tentando um lugar ao sol nessa área, prestem atenção nesses detalhes.
Quando crescerem, façam de forma diferente dessas ai!
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Aviação - parte 2 - detalhes tão pequenos...

Os balanços ruins das empresas aéreas GOL e TAM deveriam, no mínimo, motivá-las a tentar cativar-nos (povo brasileiro); a não nos fazer esperar horas sem explicação; a não transformar "lugares marcados" em uma luta por assentos. "Neste voo, os assentos serão de livre escolha dos passageiros": o som dessa frase, cada dia mais comum, dá largada a uma corrida caótica por um lugar, negando-se o assento devido a quem o reservou com prudência e antecedência de vários dias.
O site da GOL é outro problema, pois exige certa pericia para um simples check-in. Não tem impressora no aeroportos (como os totens da TAM) e caso vc não tenha o comprovante seu check-in (boarding pass) impresso antecipadamente, vai ter que enfrentar "aquela" fila e pedir segunda via. De um documento que nunca teve primeira via (impressa).
Em um vôo da GOL o passageiro fica com a impressão que em algum momento será chamado para varrer a aeronave. Normalmente já é chamado aos gritos para dentro da aeronave, não raro depois de mudar várias vezes de portão.Não há jornais e o sanduiche de bordo (que substitui as folclóricas barrinhas de cereais) é frio e contém uma cruel argamassa de pão com um receio
h normalmente irreconhecível.
A favor? Reconheçamos: o espaço dos passageiros nos Boeings da GOL são maiores
que os escolhidos pela TAM para configurar seus AIRBUS (poquitim maiores) . Mas não tem, como a TAM, leitura de bordo (fora a revista publicitaria da empresa), nem tela para projeção de filmes e informações e nem mesmo programa musical o passageiro. É sempre um voo tosco! Monótono! Chato... Um busão que voa!
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21 de abr. de 2009

Na aviação, detalhes tão pequenos...(I)

Como a reviver pesadelos, recordo imagens de funcionários da VARIG, VASP e TRANSBRASIL, em prantos, caminhando de braços dados pelos aeroportos a anunciar o fim de suas empresas, sua prostração, frustração e preocupação com seu próprio futuro e o de cada família. Haviam falido as empresas e pousado suas esperanças, amargamente recolhidas aos hangares do tempo...
Onde imperavam aqueles três gigantes quebrados, hoje predominam apenas duas, TAM e GOL, empresas que encerraram o ano fiscal passado com graves prejuízos. Mesmo ao final do ano passado em que viajei bastante, como é usual, vi aeroportos e aviões vazios, a despeito de promoções inéditas... Ouseja, nem a redução de espaço interno (para "socar" mais passageiros na aeronave), foram suficientes para que apresentassem lucros. Há explicações técnicas relativas a variação de câmbio e preço de petróleo, porém (cá entre nós), causam espanto que ainda justifiquem balanços ruins, já que nada disso é novidade. Uma empresa aérea precisa saber lidar com aviões, logística, custos e hedge (proteção contra variações bruscas nos preços). E com passageiros, claro!
De verdade, gostaria que essas empresas andassem bem. Ou "voassem bem"... Em todos os sentidos. Sou viajor militante, passageiro recorrente e dependo delas para uma vida eficiente e agradável
, pessoal e profissional, e por isso essa torcida, o que não me impede (e até estimula) algumas críticas a como tratam os passageiros no Brasil.
Para não termos um post muito longo, continuamos em outro.
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7 de abr. de 2009

PAULISTANÊS - parte 3- o arioporto

Hoje, 07 de abril, a caminho de uma reunião em São Paulo, com trânsito ruim (e tempo também, o que não é novidade), ouvia rádio no carro quando fui surpreendido pela bela voz de uma reporter contando sobre a situação do ARIOporto de Congonhas. Isso mesmo: ARI-oporto! Lembrei-me que para a maioria dos paulistanos falar AEROporto é uma tortura maior que falar "problema"... Independe de grau social, nível cultural, o que seja: porto de avião é "arioporto", assim como a cidade de Itanhaém vira ITANHANHEM na "boca do povo"(o de SP, claro). Mas, cá entre nós, nove entre 10 se enrolam mesmo é para falar METEOROLOGIA ou "condições metEOROlógicas"... Ai é um "Deus nos acuda!" Imagine agora a reporter, paulistana, falando sobre "as condições meteorológicas do aeroporto de Congonhas: "condições metEREO-lógicas do ARI-oporto..." -

20 de fev. de 2009

SOBRE VAGABUNDOS


Dudu foi quem me levou a resgatar a imagem dos vagabundos afirmando que o melhor funcionário do mundo é o “vagabundo responsável”, aquele tipo que, para trabalhar menos, é capaz de ser criativo o suficiente para simplificar as rotinas de trabalho. O final de seu esforço mental precisa trabalhar só metade do tempo (redução do esforço físico) para atingir as metas... Parei para pensar e lembrei-me da minha avó usando um pesadíssimo instrumento chamado escovão (foto da esquerda) para esfregar, no chão de madeira, uma palha de aço. Feito esse trabalho insano, vovó espalhava cera, de joelhos, pelo assoalho. Horas depois, o escovão voltava a ser passado com uma flanela, para dar brilho. Minha mãe já foi beneficiada pelo esforço (mental) de um vagabundo qualquer que, horrorizado com a idéia de encerar o chão à moda das vovós, inventou a enceradeira. Enceradeira é um instrumento elétrico em desuso, mas que demandava 70% menos de esforço que o escovão.
Porém, mesmo a enceradeira era cansativa. Tinha que ser passada por todo o assoalho para limpeza (varredura), depois para espalhar cera e uma terceira vez para o brilho. Foi ai que um vagabundo ainda maior inventou o “sinteco” (cascolac) que dá um brilho permanente (pelo menos por alguns anos) no assoalho de madeira. Quem não gosta do tal sinteco, cobre o piso com carpetes e outras novidades modernas. Escovão, cera, enceradeira, nunca mais. Quem inventou a TV com controle remoto? Não sei o nome, mas, certamente foi um desses vagabundos sem disposição para levantar do sofá a cada 3 minutos para mudar de canal, aumentar o som, reduzir o brilho, etc. Do mesmo tipo de pessoa que inventou o câmbio automático, o aquecimento central e (porque não?) a energia elétrica, a carruagem sem cavalos, o avião... Alguém disposto a ir, em lombo de burro, de Fortaleza a Recife não se preocuparia em ter um automóvel; alguém feliz com uma travessia oceânica de navio a vela, à moda Cabral, jamais gastaria tempo inventando o avião. Um vagabundo inventou o elevador para não subir 20 andares de escadas todos os dias. Outro inventou a alavanca, para fazer menor esforço... Acho que você captou a idéia.
Gente maravilhosa como Dorival Caymmi, levou o direito ao menor esforço ao extremo (algo como uma composição por ano) e 1 "caymmi" poderia ser uma unidade de medida de esforço. Alcindo Ferreira, meu amigo e mestre, trabalha a aproximadamente 0,7 caymmi...
É isso! Quem inventou a máquina de lavar roupa? O lava-pratos? Liquidificador? Microondas? Tudo obra de vagabundo. Ô raça abençoada, pelo menos por nós outros vagabundos que não sab
emos inventar nada.

Dudu é o Carlos Eduardo Tavares de Andrade, hoje um aposentado do Banco Central, vivendo no Rio

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17 de jan. de 2009

O MILAGRE DO POUSO

Dia 15.janeiro.2009 será sempre um dia inesquecível para Chesley B Sullemberger III – o Sully – e para, pelo menos, mais 154 passageiros do Airbus A320, um avião que ele pousou com perícia e graça no leito do Rio Hudson em Nova Iorque.(veja o gráfico abaixo a direita. Para ampliar clique sobre ele.) Nenhuma vitima! Todos deixaram o avião e foram recolhidos por barcos que trafegam diariamente ali, pertinho do coração novaiorquino. E, com justiça, Sully é o herói do momento. De um momento carente de heróis. Tem 57 anos e mais de 19.000 horas de voo, Especialista em segurança de vôo, é piloto há mais de 40 anos e iniciou a sua carreira na Força Aérea norte-americana.
Ao mesmo tempo, o mundo vive uma das maiores crises econômicas da História e ela teve seu “anuncio formal” em 15 de setembro passado (quebra do Banco Lehman), exatos 4 meses antes do que agora é chamado “milagre do Rio Hudson”. Em comum? Quase nada, além de terem ocorrido, ambos os eventos, em Nova Iorque, com a fina ironia que um dos fatos – a crise – nasceu da imperícia de pilotos de bancos e "agencias reguladoras" e o outro – o milagre – só foi possível porque a pilotagem foi primorosa.
Muito já foi dito sobre instituições financeiras e “agencias reguladoras” estarem sendo pilotadas por gente muito bem preparada nas escolas e ultra-especializada no uso de tecnologia de ultima geração, porém inexperiente. Como Sully demonstrou, se um avião é atingido por uma revoada de pássaros, de surpresa, afetando mortalmente seu funcionamento, não dá tempo de consultar nem um manual, nem o Google. Sully só teve alguns segundos não só para tomar as decisões certas, como conduzir pessoalmente os procedimentos necessários. Muito diferente dos “pilotos financeiros”, enaltecidos e “bonificados” (em dinheiro) enquanto persistia um cenário calmo, um verdadeiro “céu de brigadeiro” na economia mundial, porém, na primeira crise séria caíram de bico no chão (ou no colo de governos em todo o mundo).

Ainda ontem, dia 16, assistimos pasmos ao anuncio de mais socorro financeiro, em valores astronômicos, ao Citibank e ao Bank of América, para salvá-los de afundar nos rios gelados no universo. Isso, depois de socorrer Merril Lynch, Bear Sterns, Wachovia, Fanny Mãe, Freddy Mac e e muitos outros “menos votados”. A maioria dos pilotos dessas instituições havia recebido louvores (e bônus financeiros, claro) pela decolagem, pela lotação, pela "qualidade" do vôo enquanto o mundo estava sem crises mas, quando suas “naves” tiveram que enfrentar um contratempo e afundaram, a maioria já tinha saltado fora.
Sully é diferente: sua “louvação” veio depois, porque soube pousar a nave, nas condições mais adversas. Seu maior bônus é ser chamado, para sempre, de herói. Competente e experiente.

17 de nov. de 2008

WELCOME BLUE

A confirmação que a partir do próximo ano teremos nova empresa aérea no Brasil é uma esperança renovada para nós, pobres “viajantes constantes”, que temos que pagar o ônus de dispor apenas das “vermelhas” (sem conotação política) TAM e GOL aqui no Brasil. O nome será AZUL.Bem-vinda!
A última empresa azul, a VARIG, foi engolida de vez pela GOL (Grande Ônibus Lotado) e agora só serve a trechos internacionais. A VASP, a Cruzeiro e a americana PANAM também eram azuis: morreram! Assim como a multicolorida Transbrasil, a única que deixou saudades, pelo menos na minha geração, pra demonstrar que o problema não é cor. É mentalidade!
As azuis VASP, VARIG e PANAM tinham em comum a arrogância (prepotência) dos comissários de bordo e a displicência com que tratavam os passageiros. Por exemplo, em qualquer viagem, os primeiros a entrar em um avião da VASP, interrompendo a conversa das aeromoças, tinham a sensação de estar entrando em “terreno proibido”. Parecia que se podia ler em um balãozinho acima das cabeças das aeromoças (normalmente louras e bem penteadas) algo como: “Passageiros!!! Lá vêm eles perturbar nosso sossego!” Assim, quando a VASP morreu, pra tristeza (apenas) dos funcionários, poucos passageiros lamentaram.
Aliás, anos atrás, a VARIG em fase terminal, afundada pela incompetência em terra, já havia tido seus funcionários tomados pela mesma arrogância que parecia herdada da velha PANAM (onde ser maltratado era quase uma folclórica e masoquista diversão, como alguns consideram divertido ser expulso do Bar Leo em São Paulo, no fim de tarde, ou de um PUB inglês as 11 da noite). Bem, falar sobre a PANAM é tragicômico. As encarquilhadas aeromoças – popularmente chamadas “aerovelhas”, menos pela idade, mais pela ranzinzisse – louras, feias e cheias de laquê, unhas longas e saltos altos odiavam as viagens e os viajantes e não escondiam isso de ninguém. Não conheço uma única pessoa que tenha lamentado o “passamento” da PANAM. Saudade zero!
Porém a VASP, a VARIG, a PANAM – e até mesmo a TAM – começaram bem, tiveram uma fase boa em que as pessoas eram bem atendidas, os horários razoavelmente cumpridos, explicações dadas de bom grado. Passageiros eram tratados com respeito!
A GOL, nem isso. Já começou como é hoje, tosca! Só que,no começo, as passagens eram baratas e as barras de cereais (ração de bordo) eram vistas como uma piada compatível com os preços baixos. Nada mais...nada, nada mais! Agora que pratica preços altos e mantém serviços que nem para ônibus seriam adequados, a esperança na AZUL é o único balsamo para quem viaja, não por prazer, mas por força das circunstancias. Uma pena.

A VARIG do passado e a TAM, também do passado – e só para ficar em empresas ainda vivas – são prova de que é possível tratar as péssoas de forma civilizada. Pena que se esqueceram, pena que a GOL nunca tenha aprendido!

25 de set. de 2008

Nóis na America, parte 2 - o COMISHATO

Passamos a alfândega americana na sexta feira (19.09.08) pela manhã. A viagem pela Delta foi tranqüila apesar de ser mais uma empresa aérea com o viés de reduzir o espaço entre os bancos, como se população do mundo estivesse encolhendo e não o contrário. Ainda assim, a viagem seria mais tranqüila se um dos comissários, um sorridente e gorducho japonês, não insistisse em passar instruções em idioma japonês, a cada 5 minutos, Deus sabe pra quem! Afinal, era um vôo São Paulo–Atlanta. Instruções em inglês e numa língua que eles pensam ser português, é admissível. Mas, interromper 14 vezes a primeira hora de vôo (e o filme, Indiana Jones III) para intermináveis blá-blá-blás em idioma nipônico, despertou o espírito ninja tornando difícil conter o desejo de, ao grito de BANZAI, esganar o chato do Comishato, digo, Comissário. Bem, nada impediu o Tercio de dormir 8 e meia das nove horas de vôo (excelente companhia!!!). Passei algumas horas lendo o Código da Vida, do Saulo Ramos (depois eu conto)...Vida que segue. Na sexta ao meio dia, depois de passar por Atlanta, chegamos a Miami, que fica ao norte do Caribe... mas isso é outra história.