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18 de jul. de 2009

KANDANGU

O Candango foi um jipe produzido no Brasil pela Vemag, sob licença da fábrica alemã DKW, entre 1958 e 1963. Foram produzidas mais de 5.000 unidades e foi um "objeto de desejo" de, pelo menos, uma geração, numa era distante da fartura de opções que se dispõe hoje.
Curioso que o nome DKW sempre foi pronunciado no Brasil como DECAVÊ. Quem, hoje, goza os paulistas que chamam BMW de BEMEVÊ, acaba se esquecendo dessa pronuncia do W como Vê (como falam os alemães: mesmo no sul do Brasil onde Wilson é Vilson - e não Uilson - pela influência germânica).

O inicio de produção do jipe coincide com a construção de Brasília, na qual os operários eram chamados exatamente CANDANGOS. A fabricante usou o nome em homenagem a esses trabalhadores, associando-os a Brasília e a Juscelino Kubitscheck que, além de construir a nova capital, é o padrinho da indústria automobilística no País.

Esse adjetivo vem de quimbundo kandangu, forma como os africanos designavam os portugueses. Na “evolução”, passou a designar o "trabalhador que veio de fora da região". Por isso, sou, de verdade, um candango nesta Brasília região.

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20 de fev. de 2009

SOBRE VAGABUNDOS


Dudu foi quem me levou a resgatar a imagem dos vagabundos afirmando que o melhor funcionário do mundo é o “vagabundo responsável”, aquele tipo que, para trabalhar menos, é capaz de ser criativo o suficiente para simplificar as rotinas de trabalho. O final de seu esforço mental precisa trabalhar só metade do tempo (redução do esforço físico) para atingir as metas... Parei para pensar e lembrei-me da minha avó usando um pesadíssimo instrumento chamado escovão (foto da esquerda) para esfregar, no chão de madeira, uma palha de aço. Feito esse trabalho insano, vovó espalhava cera, de joelhos, pelo assoalho. Horas depois, o escovão voltava a ser passado com uma flanela, para dar brilho. Minha mãe já foi beneficiada pelo esforço (mental) de um vagabundo qualquer que, horrorizado com a idéia de encerar o chão à moda das vovós, inventou a enceradeira. Enceradeira é um instrumento elétrico em desuso, mas que demandava 70% menos de esforço que o escovão.
Porém, mesmo a enceradeira era cansativa. Tinha que ser passada por todo o assoalho para limpeza (varredura), depois para espalhar cera e uma terceira vez para o brilho. Foi ai que um vagabundo ainda maior inventou o “sinteco” (cascolac) que dá um brilho permanente (pelo menos por alguns anos) no assoalho de madeira. Quem não gosta do tal sinteco, cobre o piso com carpetes e outras novidades modernas. Escovão, cera, enceradeira, nunca mais. Quem inventou a TV com controle remoto? Não sei o nome, mas, certamente foi um desses vagabundos sem disposição para levantar do sofá a cada 3 minutos para mudar de canal, aumentar o som, reduzir o brilho, etc. Do mesmo tipo de pessoa que inventou o câmbio automático, o aquecimento central e (porque não?) a energia elétrica, a carruagem sem cavalos, o avião... Alguém disposto a ir, em lombo de burro, de Fortaleza a Recife não se preocuparia em ter um automóvel; alguém feliz com uma travessia oceânica de navio a vela, à moda Cabral, jamais gastaria tempo inventando o avião. Um vagabundo inventou o elevador para não subir 20 andares de escadas todos os dias. Outro inventou a alavanca, para fazer menor esforço... Acho que você captou a idéia.
Gente maravilhosa como Dorival Caymmi, levou o direito ao menor esforço ao extremo (algo como uma composição por ano) e 1 "caymmi" poderia ser uma unidade de medida de esforço. Alcindo Ferreira, meu amigo e mestre, trabalha a aproximadamente 0,7 caymmi...
É isso! Quem inventou a máquina de lavar roupa? O lava-pratos? Liquidificador? Microondas? Tudo obra de vagabundo. Ô raça abençoada, pelo menos por nós outros vagabundos que não sab
emos inventar nada.

Dudu é o Carlos Eduardo Tavares de Andrade, hoje um aposentado do Banco Central, vivendo no Rio

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18 de fev. de 2009

2000inove

Quando um banco brasileiro lançou essa publicidade para o ano de 2009 (2000inove), morri de inveja por não ter pensado nisso antes. Bela idéia, belo trocadilho, bela mensagem... Mas, pensando bem, o “inove” pode ser um bom conselho, mas não necessariamente uma boa referência... Vamos lembrar:
Dez anos atrás, 1990inove, o BC resolveu inovar: Chico Lopes tentou implantar um novo modelo cambial e (simplificando) a taxa de câmbio explodiu e, em poucos dias o dólar passou de R$ 1,15 para R$ 2,20 (depois voltou). Um início de ano aterrorizante.
Vinte anos atrás, 1980inove, o Brasil inovou, voltou a eleger diretamente o presidente da república e escolhemos Collor. Antes, tivemos o Plano Verão, a 3a. tentativa de Sarney para nos livrar da inflação. Em um fim de governo, o Ministro Maílson, sem a opção de adotar medidas estruturais, fez esse remendo, a atitude possível.
Trinta anos atrás, em 1970inove, o BC inovou: fez a 1a. maxidesvalorização (30%) da moeda nacional, prenúncio do desastre que se confirmou em 1982, com a moratória da dívida externa. O choque do petróleo de 1979 arrebentou com as economias pobres e os “paises em desenvolvimento”. Nunca mais paramos de fazer máxis...
Quarenta anos antes, em 1960inove foi o governo militar quem inovou: o presidente Costa e Silva tem um derrame, é afastado e o Brasil passa a ser governado por uma junta militar. Ainda em 1969 foi escolhido e empossado o novo presidente, Emilio Garrastazu Médici.
Bem, 2000inove começou embaixo de uma crise que grandes economistas já consideram maior que a de 1929, até então a maior crise fora de tempos de guerra.
Em suma, apesar de não ser supersticioso, já não sei se gostaria mesmo de ter tido a idéia do “inove”.
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14 de fev. de 2009

PELO TELEFONE

O estranho aparelho da foto, sem teclas e sem disco, é um telefone como usávamos lá no interior de São Paulo até inicio dos anos 70. Parece uma coisa muuuuuuito antiga né? Mas lembre-se, principalmente quem é do time que acredita que o mundo foi criado por Bill Gates que, em 1970, o Bill já tinha 15 anos. E hoje tem 52.
Mas e o aparelho, como funcionava? Bastava tirá-lo do gancho, girar a manivela e aguardar um pouquinho a telefonista:
--Boa tarde! Oooooooi é você? Ainda ontem falamos de você no enterro do Seu Manoel da Marcenaria...Parabéns por ter passsado no vestibular e blá, blá, blá!
-- Ah! Que bom Dona Alzira. Pode "me ligar" por favor no 49?
-- Claro! Boa tarde, abração para sua mãe e para você. E plugava um cabo no número 49 à sua frente. Porém, não raro, essa solicitação teria outra reação da telefonista:
-- Ih! Não tem ninguém lá! Dr.Rubens foi pra São Paulo com toda familia. Foi ao médico para uma revisão daquela cirurgia do mês passado, nada mais. O resto da familia foi passear mesmo e só voltam domingo.
Tinha outra maneira de ligr também (sempre girando a manivela e falando com a telefonista):
--Dona Alzira, "me liga" na casa do Paulo Cruca, por favor! Depois de tentar a conexão e ninguém atender, ela diria:
--Ninguém atende, mas vamos tentar na casa do Serginho porque agora mesmo ligaram de lá para a casa do Zillo e eu acho que a voz era dele... E se não estiverem lá é que já foi todo mundo pro ginásio.

E assim a vida seguia. Sentiu inveja, né? Pois no incio dos anos 70 a manivela foi substituida por um botão (uma campainha) para chamar a telefonista. Mas essa fase foi curta, porque logo sobreveio o telefone com um disco, uma peça circular com algarismos de 0 a 9. Dispensava a telefonista e para que se fizesse a conexão com o número a ser chamado, era preciso colocar o dedo em cada dígito e fazê-lo girar até o "clic"... Impessoal.
Aliás, foi dessas discagens que os marketeiros criaram os DISK-PIZZA, DISK-REMÉDIO, etc. Hoje não se "disca" mais, apenas digitamos sobre teclas, mas ainda se usa a expressão DISK. E por falar em expressão, para usar um telefone público éramos obrigados a comprar uma ficha metálica, redonda como uma moeda, que era depositada em local apropriado no aparelho. Se a ligação se completasse, isto é, se alguém atendesse lá no número chamado, a ficha caia para dentro do aparelho. E até hoje, quando entendemos uma idéia, compreendemos uma explicação como se tivesse ocorrido uma conexão completa, a gente diz que "caiu a ficha".
Muita gente nascida nos ultimos 15 ou 20 aos jamais viu algo assim, abraçada que está com magnificos aparelhos eletrônicos que tocam MP3, acessam internet, funcionam como GPS, mandam e recebem e-mails, tiram e armazenam fotos, mais outras 144 funções, entre as quais falar com alguém distante, uma conversa remota como em um telefone.
Viva o progresso. Antes uma ligação de Ipauçu para São Paulo podia demorar 10 ou 12 horas para se completar. Hoje o fazemos em segundos, para São Paulo ou qualquier lugar do mundo. Mas dá saudade da sensação de pertencer à aldeia, centralizada numa telefonista como Dona Alzirinha que ainda está lá em Ipauçu, com suas memórias. Caiu a ficha: hoje há mais tecnologia, antes, mais poesia.
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14 de jan. de 2009

Sobre Penicos

Dia desses fiquei de falar do penico um utensílio que já foi de intenso uso doméstico, mas que hoje é de uso cada vez mais restrito. E muita gente nunca o conheceu, pelo menos no auge de seu "estrelato". Segundo o dicionário, penico ou urinol é um “vaso apropriado para nele se urinar e defecar”. Também pode ser chamado “bacio” ou “bispote”, termos que, confesso, não conhecia! Feita a apresentação formal, vamos ao que interessa: a coisa real!
Tempos atrás, não muito (se você ainda não era vivo, sua mamãe já era - respeitosamente), havia grande dificuldade para construção de banheiros dentro das casas, por causa, principalmente, da falta de rede pública de esgotos. Por isso, havia necessidade de dirigir os dejetos a uma fossa séptica e assim, ao invés de banheiros internos – como é usual hoje – eram construídos numa “casinha” à parte, 20 ou 30 metros longe da “casa principal”. E diretamente sobre a tal fossa séptica.
Algumas poucas casas, de pessoas mais abastadas, dispunham de banheiro interno, mas raramente havia mais do que um banheiro em uma casa, mesmo que ali morassem, por exemplo, 20 pessoas, em seis ou mais quartos. Já havia chuveiros rudimentares, mas os banhos, normalmente em bacias e com ajuda de canequinhas, ficavam em ambientes separados, o que não impediu que ambos, o ambiente de banho e o ambiente sanitário, acabassem na história simplesmente como “banheiros”. Os edifícios de apartamentos talvez tenham sido os responsáveis pelo crescimento de uso de banheiros internos, até porque nos prédios altos nem há outra solução.

Mas, o que queremos contar é que, por conta dessas “dificuldades sanitárias”, diariamente as pessoas levavam para seu quarto e depositavam discretamente debaixo da cama, um penico
como esses ai da ilustração, principalmente para colher aquele xixizinho básico da madrugada. Evidentemente, as noites frias ou chuvosas desencorajavam uma caminhada até a tal casinha, além de haver sempre quem tivesse medo de sair de casa na madrugada. Por conta disso, nessas ocasiões, o penico recebia coisas mais sólidas, de forma que, ao amanhecer, os primeiros a acordar eram premiados com o cheirinho característico da penicaiada espalhada no chão e escondida pela beirada do lençol. Na cena seguida, após o cantar do galo ou o soar do despertador, surgia a fila de sonolentas pessoas, cada qual portando seu próprio penico como quem portava uma oferenda a um deus pagão, para limpeza desses utensílios no “banheiro” externo. Logo após essa “cerimônia”, o cheiro do café e o ar puro da manhã davam fim a essa sinfonia de cheiros colhidos na madrugada. E os penicos limpos eram recolhidos a espera da próxima noite.

[Os penicos ainda hoje são usados e atendem principalmente às pessoas doentes, nos hospitais e em casa, e nas muitas áreas que a saúde pública não alcança com suas redes de água e esgotos].

18 de dez. de 2008

ESCARRADEIRA

Era menino ainda quando me contaram que, muito antigamente, as pessoas costumavam ter na sala de visitas um curioso utensílio, hoje quase desconhecido, chamado “escarradeira”. Era assim: quando uma visita desejava cuspir, ou escarrar, era ali que se recolhia o resultado da “tossida” (veja o modelo da foto, bem bonito!). E era particularmente útil, segundo dizem, por ser a tuberculose bastante comum, à época (final do século XIX, início do XX), e por isso, quando a pessoa danava a tossir e escarrar, era bom mesmo ter um recipiente adequado... Ou um guarda-chuva (eca!)

Tudo isso como um preâmbulo para, em fim, dizer que se hoje todo mundo acha normal ser proibido fumar em tudo quanto é canto, mal sabem que, até 10 ou 15 anos atrás, não existia ambiente sem um “cinzeiro” (tem gente que nunca viu um...). Fumar era totalmente liberado aqui no planeta Terra: na sua casa, no elevador, no avião, no cinema, no metrô... O visitante, quando estava na sala da gente, simplesmente acendia o cigarro, sem pedir licença, pois era o ato mais “natural” do mundo! Se muito fino, oferecia cigarros aos “da casa” que normalmente se apressavam a oferecer um café – que faz boa dupla com o cigarro – e um cinzeiro, caso não estivesse previamente à mão, como seria normal! Havia cinzeiros de prata, de cristal, ouro, bronze, formatos estranhos, uma infinidade! Cheguei a ser um colecionador de cinzeiros...
Fumar era trivial. Nas viagens de ônibus, metrô, avião, como fosse, a maioria dos passageiros era fumante... Elevadores tinham cinzeiros incrustados nas paredes (no centro da cidade de São Paulo, nos prédios mais antigos, ainda os há!). Fumava-se na sala de aula, no cinema e no teatro. O ambiente de trabalho dispunha de cinzeiros em todas as mesas. E assim por diante...
Olhe aqui: em poucos anos alguma criança vai se escandalizar ao saber que as pessoas tinham cinzeiros em casa e que se fumava em qualquer lugar do mundo, exatamente como me escandalizei ao saber das escarradeiras. Voce também, né?
Dia desses conto a história do penico, também chamado urinol.

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17 de nov. de 2008

CATARINICES II - DIA DE SANTA CEIA

Catarina é essa ferinha ai no meio da foto entre as primas Karla e Hellen. Um dia, na Escola Dominical, lá na Igreja Presbiteriana de Brasília, Catarininha com 2 ou 3 anos, logo depois de deixar o berçário, já ficava na classe das crianças onde passava a manhã de domingo entre cânticos, brincadeiras e lanches.
Certo domingo cismou que queria ficar com os pais no Templo e, decisões da Catarina eram – como ainda são – um perrengue pra contrariar. Claro, foi para o templo com os pais. E era dia de Santa Ceia, que na Igreja Reformada, é uma cerimônia em que cada participante recebe um pequenino naco de pão e um pequenino cálice de vinho.
Silêncio! O maestro toca suave o piano! Igreja em contrição e Catarina observando atenta os movimentos. De repente não se contém, ao olhar o pedaciquinho de pão e o copinho de vinho nas mãos dos fiéis, e comenta, bem alto:
- “O LANCHE DAS CRIANÇAS É MELHOR"...

Claro que todos os 400 presentes ouviram e deram uma das maiores gargalhadas coletivas da história daquela igreja. Certamente Deus também riu, com gosto.

4 de nov. de 2008

CATARINICES I - dormir só?

Catarina, essa moça linda, claro, já foi pequetita, a menor da turma e por isso a “Pitoco”, ou, simplesmente Pit. Pode ser, ainda, Pit-Bull quando fica mais brava, principalmente com o irmão Tercio. E, desde sempre, “cheia de idéias”.
Tinha perto de quatro anos quando se deu conta que os irmãos dormiam em um quarto, juntos; os pais dormiam em outro quarto, juntos, e ela, só ela, dormia sozinha... “sozinha?”
- “Não filhinha, você dorme com Jesus, explicou a mamãe”, acalmando-a.
Mas durou menos de 24 horas. Ela meditou muito e, no dia seguinte nos convoca, do alto de seu pouco mais de meio metro, porque teve a seguinte“idéia” (uma "adéa", segundo ela):
- “Os irmãozinhos (Emilio e Tercio) podem continuar a dormir no quarto deles; eu durmo com a mamãe no outro quarto; e o papai dorme com Jesus”. E bateu as mãos (em sinal de triunfo), gesto acompanhado de seu sorrisinho irresistível.
Bom, ganhou mais uma temporada no quarto dos pais.

25 de out. de 2008

1970 - IPAUSSU (SP)

Imagine Ipaussu (SP) em 1970, sem internet, sem video-game - aliás, sem computador - um único e chato canal de TV (Excelsior já falecida). Durante o dia, além da escola, futebol, pescaria... À noite, o tempo sobrava... Namorar não era usual de 2a. a 6a.feira. Os bailinhos, uma ou duas vezes por mês, aos sábados ("os embalos de sábado a noite"). O velho Cine Riviera passava filmes B, renovados diariamente, mas, de qualquer forma, mal ocupavam duas horas de nosso tempo. Tínhamos que ser criativos. E criávamos: jornal, teatro, fanfarra, seresta...
Ai do lado um guardado do Toninho Campos (nosso "Rótula"), hoje em Penápolis (SP), sobre um grupo de teatro criado em 1970 pelo inesquecível louco e genial Hélio Brizola, à época apoiado pela Folha de Ipaussu, como atestam as assinaturas do Celso Egreja (Bina) e desse blogueiro menor, então "redator" da Folha. O convite foi mimeografado e depois individualizado ao destinatário por meio de uma máquina de escrever. Olha, quem souber, explique, por favor, a quem não sabe, o que é (ou era) um mimeógrafo (Boa sorte!Rs.).
Uma recordação gostosa, sem a pieguice da saudade inconsolável, mas com uma ternura antiga. E boa!

3 de out. de 2008

200 gramas de mortadela


foto Campo de Futebol
Na padaria procurei ser gentil com o balconista:
-- "DUZENTOS gramas de mortadela, por favor!"
O olhar dele passou da surpresa à ironia quando perguntou:
-- "O senhor quer DUZENTAS gramas de mortadela???" (assim, enfatizando a feminilidade que ele atribuía à unidade de peso). Fiquei embaraçado. Dúvida: explico a ele que a grama, assim no feminino é aquela verde, que nasce na terra, um vegetal muito usado em campos de futebol e degustado, inclusive, por certos tipos de muares? Não, deixa pra lá. Seria muita arrogância, ali, naquela hora.
-- "Isso, isso, respondi. Corte bens finas por favor... as fatias!"
Voltei uma semana depois, já esquecido do pequeno percalço, mas ali estava de novo o sagaz balconista, aquele zeloso da língua à sua moda! Bem, eu já havia concordado com a inadequação de tentar explicar a masculinidade do grama, unidade de peso, ali na padaria. Tudo bem, mas adotar a forma errada – mesmo que popularmente aceita – também não me fazia a cabeça. Afinal, nos 10 anos que trabalhamos com ouro no Banco Central, cansamos de corrigir as pessoas que citavam: “as gramas de ouro”. O mínimo que alguém da equipe dizia era: “o grama é macho” (normalmente seguido de um palavrão).
Olhei pro atendente. Ele olhou pra mim e sou capaz de jurar que ficou esperando que eu “errasse” de novo. Havia um rastro de sorriso no seu rosto esperando meu pedido, quando enfim me decidi:
-- “Duzentos e CINQUENTA gramas de mortadela, por favor”. Ele nem esboçou qualquer reação que não fosse pegar a peça de mortadela e colocar na máquina de fatiar.
Agora só compro assim: 150 g, 250 g, meio quilo. Sem estressar a mim e ao atendente.

15 de set. de 2008

Aniversário de Emilio, o avô!

Hoje é aniversário de Emilio Garofalo, o que mora em Bernardino de Campos e é meu pai. Essa explicação é necessária porque somos 3 os Emilio Garofalo que descendem de Caetano e Páschoa: meu pai, o aniversariante de hoje, eu mesmo e o Emilio Neto, lá no Mississipi.
Bom, o aniversariante chega ao 79, em pique de academia 5 vezes por semana. Invejável.
Saúde e paz, pai (ou Vô Linus como o chamam os netos).