Mostrando postagens com marcador lingua portuguesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lingua portuguesa. Mostrar todas as postagens

17 de abr. de 2009

MAIS PAULISTANÊS (IV)

- "Pau" (ou pow): o dinheiro, sem plural, sem milhar ou milhão (se ligue no contexto):
--- Um café: 2 pau (R$ 2,00)
--- Um salário: 2 pau (R$ 2 mil)

--- Um assalto: 2 pau (R$ 2 milhões);

- "MonGANguá": Mongaguá, cidade do litoral paulista
- "AS direita": indicação para se entrar à direita
- "ShortS": Short (roupa curta)

- "Farol": semáforo
- "Camarão à Baiana": camarão com molho de tomate (voce já viu na Bahia?)
- "Virado a Paulista": bem, nada mais "mineiro" que a mistura de bisteca de porco, tutu de feijão, ovo frito, arroz, linguiça e couve
- "Feijoada Carioca": a mesma feijoada que se come no Brasil todo, mas apelidada "carioca" porque - na prática - é a única forma que o paulista come feijão preto.
- "Churrasquinho"(em bares e lanchonetes): sanduiche de pão com bife
- "Mutzarela": pronuncia ítalo-paulistana da muzzarela

- "Santos": "Vou a Santos" na prática, está dizendo que vai a algum lugar no litoral paulista. Quase nunca a cidade de Santos;
- "baiano": pessoa oriunda de qualquer lugar ao norte de Minas Gerais; o equivalente ao carioquíssimo "paraíba";
- "brigadeiro": a Avenida BRIGADEIRO Luis Antonio
- "faria lima": a Avenida BRIGADEIRO Faria Lima (a da foto, onde fica o Shopping Iguatemi). Sutileza, né?
-

3 de out. de 2008

200 gramas de mortadela


foto Campo de Futebol
Na padaria procurei ser gentil com o balconista:
-- "DUZENTOS gramas de mortadela, por favor!"
O olhar dele passou da surpresa à ironia quando perguntou:
-- "O senhor quer DUZENTAS gramas de mortadela???" (assim, enfatizando a feminilidade que ele atribuía à unidade de peso). Fiquei embaraçado. Dúvida: explico a ele que a grama, assim no feminino é aquela verde, que nasce na terra, um vegetal muito usado em campos de futebol e degustado, inclusive, por certos tipos de muares? Não, deixa pra lá. Seria muita arrogância, ali, naquela hora.
-- "Isso, isso, respondi. Corte bens finas por favor... as fatias!"
Voltei uma semana depois, já esquecido do pequeno percalço, mas ali estava de novo o sagaz balconista, aquele zeloso da língua à sua moda! Bem, eu já havia concordado com a inadequação de tentar explicar a masculinidade do grama, unidade de peso, ali na padaria. Tudo bem, mas adotar a forma errada – mesmo que popularmente aceita – também não me fazia a cabeça. Afinal, nos 10 anos que trabalhamos com ouro no Banco Central, cansamos de corrigir as pessoas que citavam: “as gramas de ouro”. O mínimo que alguém da equipe dizia era: “o grama é macho” (normalmente seguido de um palavrão).
Olhei pro atendente. Ele olhou pra mim e sou capaz de jurar que ficou esperando que eu “errasse” de novo. Havia um rastro de sorriso no seu rosto esperando meu pedido, quando enfim me decidi:
-- “Duzentos e CINQUENTA gramas de mortadela, por favor”. Ele nem esboçou qualquer reação que não fosse pegar a peça de mortadela e colocar na máquina de fatiar.
Agora só compro assim: 150 g, 250 g, meio quilo. Sem estressar a mim e ao atendente.