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17 de abr. de 2009

MAIS PAULISTANÊS (IV)

- "Pau" (ou pow): o dinheiro, sem plural, sem milhar ou milhão (se ligue no contexto):
--- Um café: 2 pau (R$ 2,00)
--- Um salário: 2 pau (R$ 2 mil)

--- Um assalto: 2 pau (R$ 2 milhões);

- "MonGANguá": Mongaguá, cidade do litoral paulista
- "AS direita": indicação para se entrar à direita
- "ShortS": Short (roupa curta)

- "Farol": semáforo
- "Camarão à Baiana": camarão com molho de tomate (voce já viu na Bahia?)
- "Virado a Paulista": bem, nada mais "mineiro" que a mistura de bisteca de porco, tutu de feijão, ovo frito, arroz, linguiça e couve
- "Feijoada Carioca": a mesma feijoada que se come no Brasil todo, mas apelidada "carioca" porque - na prática - é a única forma que o paulista come feijão preto.
- "Churrasquinho"(em bares e lanchonetes): sanduiche de pão com bife
- "Mutzarela": pronuncia ítalo-paulistana da muzzarela

- "Santos": "Vou a Santos" na prática, está dizendo que vai a algum lugar no litoral paulista. Quase nunca a cidade de Santos;
- "baiano": pessoa oriunda de qualquer lugar ao norte de Minas Gerais; o equivalente ao carioquíssimo "paraíba";
- "brigadeiro": a Avenida BRIGADEIRO Luis Antonio
- "faria lima": a Avenida BRIGADEIRO Faria Lima (a da foto, onde fica o Shopping Iguatemi). Sutileza, né?
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7 de abr. de 2009

PAULISTANÊS - parte 3- o arioporto

Hoje, 07 de abril, a caminho de uma reunião em São Paulo, com trânsito ruim (e tempo também, o que não é novidade), ouvia rádio no carro quando fui surpreendido pela bela voz de uma reporter contando sobre a situação do ARIOporto de Congonhas. Isso mesmo: ARI-oporto! Lembrei-me que para a maioria dos paulistanos falar AEROporto é uma tortura maior que falar "problema"... Independe de grau social, nível cultural, o que seja: porto de avião é "arioporto", assim como a cidade de Itanhaém vira ITANHANHEM na "boca do povo"(o de SP, claro). Mas, cá entre nós, nove entre 10 se enrolam mesmo é para falar METEOROLOGIA ou "condições metEOROlógicas"... Ai é um "Deus nos acuda!" Imagine agora a reporter, paulistana, falando sobre "as condições meteorológicas do aeroporto de Congonhas: "condições metEREO-lógicas do ARI-oporto..." -

7 de mar. de 2009

Paulistanês parte 2 - Tercio aprende a língua

Tercio veio passar uma temporada em São Paulo em 2004. “Temporada” que se transformou em “ano sabático” e, finalmente, em “dois anos sabáticos", no embalo das greves da UnB – Universidade de Brasília, que ele aproveitou para estudar música e, também, desenho na Escola Panamericana (Confesso que adorei a companhia).
Nascido e criado em Brasília, suas maiores dificuldades iniciais foram aprender a se mover no trânsito e na esquisita geografia paulistana e, surpresa, entender certas peculiaridades da língua local (o Paulistanês).
Certa ocasião, alguns dias depois de chegar, disse que havia aprendido uma coisa interessante: sempre que se diz “obrigado” a um paulistano ele responde “obrigado eu” ou “obrigado você” que, em Paulistanês significam exatamente a mesma coisa (e que seriam facilmente substituídas por um “por nada”, ou “de nada”). Mas tudo bem, até que ele resolveu adotar o “obrigado você” para responder a agradecimentos. Ai ele foi surpreendido com outra peculiaridade da língua local. Veja o diálogo:
-- Obrigado!
-- Obrigado eu!
-- Obrigado eu, você!
Ai ele se entregou: havia perdido a parada do agradecimento... E ri disso até hoje!


-o-

4 de mar. de 2009

Paulistanês, uma língua própria

Cansa um pouco ouvir certas histórias de paulistanos, principalmente contadas por cariocas (“um chopes e dois pastel” é a mais antiga e - reconheçamos - verdadeira!), como é o caso do “testemunho” que quase todos eles (cariocas) gostam de dar sobre o suposto fato que qualquer paulistano, quando lhe pedem orientação de trânsito, ensina errado. Vamos esclarecer essa história de uma forma simples: pra falar com paulistano tem que conhecer a língua local.
Suponha que você queira saber como ir do “Bexiga” (onde você foi almoçar numa cantina que turista acredita ser italiana), para o cemitério da Consolação (apreciar obras de arte em cemitério - como a da foto - programa de turista, que paulistano detesta). A resposta vai ser do tipo:
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"ó meu, toca em frente até a brigadero, como se fosse no rumo do paraíso ou do arioporto, mas faz o revorteio às esquerda depois do farol da brigadeiro. E volta nesse rumo mesmo. Daí cê pega as direita no segundo farol e as esquerda no outro farol e vai no rumo do minhocão. Mas num pega ele (o minhocão) sai as direita já se preparando pra entrar às esquerda do lado da igreja da Consolação. Se você errar ali, vai parar no centrão da cidade... Daí ce sobe a Consolação mas num esquece de evitar a faixa do ônibus; num tem mais o busão no contrafluxo, mas o pardalzinho vai te multar. Lá em cima você vê o cemitério e tem uma área de parar o carro."
TRADUZINDO:
- “siga em frente, rumo Aeroporto ou (bairro) Paraíso, até o cruzamento da avenida Brigadeiro Luis Antonio. Ali faça o retorno após o semáforo e continue por esta mesma via, até o segundo semáforo. Lá entre à direita e no semáforo seguinte tome a esquerda até a via elevada, na qual você não deve entrar, permanecendo na pista da direita até o semáforo seguinte, já na esquina da Avenida da Consolação (você poderá ver a Igreja da Consolação à sua esquerda). Entre à esquerda na avenida e evite a pista exclusiva de ônibus porque radares multam quem usar essa faixa. Logo adiante você avistará o cemitério e a área de estacionamento ao lado”. Viu como é simples?

DETALHE: Na área de estacionamento do cemitério da Consolação está escrito “exclusivo para usuários deste cemitério” BRRRRRRRRRR
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NOTA: ACEITEI - DE BOM GRADO - A SUGESTÃO DA PROFESSORA MARIA LAÇALETE E TROQUEI PAULISTÊS POR PAULISTANÊS. ESSA É A FORMA CORRETA.
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