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29 de dez. de 2011

ADEUS CHITA!!!

Das lembranças que trago da infância, nos anos 60, lá em Ipaussu (SP), nas matinês de domingo assistíamos filmes do Tarzan, sua mulher Jane (“Me Tarzan; You Jane”); o menino Boy e “a macaca” Chita. Pois nesta última semana de 2011, foi noticiado que Chita ou Cheetah (nome em inglês), morreu aos 80 anos, segundo o “Santuário da Flórida” , local onde o primata viveu por mais de 50 anos.

Chita que protagonizou filmes de "Tarzan" das décadas de 30 e 40 (e era basicamente o que víamos em Ipaussu nos 60), participou, entre outros, dos filmes "Tarzan, o Homem Macaco" (1932) e "Tarzan e sua Companheira" (1934), ora considerados clássicos, protagonizados por Johnny Weissmuller e Maureen O'Sullivan.

As sessões de cinema normalmente eram acompanhadas de pipocas do "Seu" Natalino, ou das balas Chita que existem até hoje e que traziam a imagem do amigo do Tarzan.

Chita, que, curiosamente, no Brasil ficou famoso como fêmea (“a macaca do Tarzan”), mas era macho, nasceu na Libéria. Quando se aposentou, foi para o Santuário, em 1960.


WEISSMULLER (TARZAN)

O Tarzan “desse” Chita era Johnny Weissmuller, nascido na Romênia (à época parte do Império Austro-Húngaro). Antes de entrar para o cinema, Weissmuller teve uma carreira excepcional como desportista, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928. Ele estabeleceu 67 recordes mundiais de natação e ganhou 52 campeonatos nacionais, sendo considerado um dos melhores nadadores de todos os tempos.

Depois de Tarzan, ele interpretou com sucesso a personagem Jim das Selvas feita para a Columbia entre 1948 e 1955. Em 1967, sua imagem foi imortalizada na capa do LP Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.Morreu vítima de um edema pulmonar em Acapulco, no México, onde vivia com a sexta esposa, em Janeiro de 1984.


MAUREEN O´SULLIVAN

A Jane dessa história, Maureen O’Sullivan, iniciou sua carreira cinematográfica em 1929 com pequenos papéis, obtendo, em 1931, o papel feminino principal num filme de "Tarzan". É mãe da também famosa atriz Mia Farrow e foi colega de colégio de Vivien Leigh. Morreu em 1998.


Vão se as pessoas e os primatas. Ficam cada vez mais vivas as lembranças...

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BLAAAAAAAAAAAAAAAA - NOTICIA POSTERIOR (29.12.11)

Morte de Chita, o chimpanzé de Tarzan, é questionada

Diretora de santuário não apresenta documentos que comprovem a identidade do animal

29 de dezembro de 2011 | 15h 26

estadão.com.br

Um santuário da Flórida anunciou nesta quarta-feira que o chimpanzé que interpretou Chita nos filmes do Tarzan morreu aos 80 anos de idade. Um dia depois, a identidade do animal é questionada.

Johnny Weissmuller (Tarzan), Maureen O'Sullivan (Jane) e o chimpanzé Chita - Divulgação
Divulgação
Johnny Weissmuller (Tarzan), Maureen O'Sullivan (Jane) e o chimpanzé Chita

A diretora do Suncoast Primate Sanctuary em Palm Harbor Debbie Cobb afirma que seus avós compraram o animal por volta de 1960 do ator Johnny Weissmuller, que teria contracenado com o animal na década de 1930, nos filmes Tarzan, o Homem Macaco (1932) e Tarzan e sua Companheira (1934).

Segundo a agência Associated Press, registros em Hollywood indicam que um chimpanzé conhecido como Jiggs ou Mr Jiggs teria contracenado com o ator no período indicado, tendo morrido em 1938.

Cobb não apresentou documentos que comprovem a identidade do animal, com a explicação de que um incêndio destruiu os papeis em 1995.

Além disso, a agência aponta a incoerência na idade do animal. Segundo especialistas, um chimpanzé vive entre 40 e 60 anos - a idade cai para 50 anos em caso de criação em cativeiro. Um animal de 80 anos estaria entre os mais velhos do mundo.

Segundo a diretora do santuário, Chita morreu no dia 24 de dezembro de falência renal e seu corpo foi cremado. "Tenho 51 anos. Minha primeira lembrança foi de quando tinha 5 anos de idade e o conheço desde então. Ele já era um animal adulto na época", afirma Cobb, citada pela agência.

Em 2008 uma história parecida foi desmentida pelo jornal The Washington Post. Na época, descobriu-se que o animal apontado como Chita havia nascido por volta de 1960, o que significava ser impossível que o animal tivesse contracenado com Johnny Weissmüller nos primeiros filmes de Tarzan.


4 de mar. de 2010

TEMPOS DE CRIANÇA EM IPAUSSU (SP)

(CLIQUE SOBRE A FOTO) Vista de perto, a camisa do uniforme cáqui (é assim que se escreve?), com duas estrelinhas, nos leva ao ano de 1965, quando cursávamos a 2a.série ginasial, que corresponde hoje ao 6o. ano do segundo grau. Onde? Escola Professor Julio Mastrodomênico, em Ipaussu (SP).
O magrelinho da esquerda é o Carlinhos (Antonio Carlos Ramos da Silva), hoje morador de Brasília (DF) junto com a Lú (Lúcia Helena) sua esposa que estudava nesse mesmo colégio nessa mesma época. Aposentado do Banco do Brasil, depois de morar na Espanha e no Paraguai, hoje cultiva quilinhos e fotos.
À direita, de azul, o Paulo Sérgio Alves de Souza, mais conhecido por Panqueca - desde aquela época - hoje habitante de São Paulo e casado com Maria Elvira,minha colega de Duratex em 1977.
Ao lado do Panqueca, o Jackis José de Morais Júnior que não vejo nem tenho noticias faz uns 30 anos. Semanas atrás recebi um e-mail dele e espero recuperar o contacto.
Por fim, o segundo da esquerda pra direita, escorando a parede, sou eu. Afinal, também já tive 12 anos.

11 de set. de 2009

INFANTES SETEMBROS

Na praça central de Ipaussu (SP), bem em frente ao chafariz (foto), tem um coreto. De cada lado do coreto, um pé de ipê amarelo.
Nos setembros de minha infância, duas datas eram de festas na cidade: o 7 de setembro e o dia 20, aniversário da urbe. Nos setembros de minha infância chovia copiosamente, como chove neste ano de 2009, atrapalhando os desfiles - que deveriam ser grandiosos - desafinando os bumbos e repiques das fanfarras e fazendo água nas tubas da banda (como o gato na tuba do Serafim!).
Nada disso diminuia os festejos nem a animação dos alunos perfilados, primeiro no desfile e depois ali em frente ao coreto da praça, onde autoridades faziam discursos, poéticos, proféticos (às vezes patéticos) mas lavrados na alma simples - nem por isso menos cultas - do interior e lavados na água pura do céu.
De tudo isso, um detalhe inesquecível: flores amarelas caidas dos ipês - que surgem sempre antes da Primavera - repousando sobre a grama, criando um cenário verde-amarelo que se prestava às mais patrióticas menções, fazendo-nos crer, todos nós, que a Natureza conspirava com a chuva só para unir ali, ante nossos olhos, o verde e o amarelo e nos embalar em um conceito de Pátria do qual, vez ou outra, sinto saudade!

7 de ago. de 2009

UM FILHO QUE FAZ...

Tercio é um filho que faz: faz arte, faz graça, faz música e faz amigos. Faz filmes, faz edição, faz trapalhadas e às vezes faz comida.
Faz amizade até com um vira-latas na rua e o faz companheiro de corrida, lá em Ipauçu! Olhe ai na foto com o Patinhas! Um cachorro preto de patas brancas...
Tercio faz até aniversário. E o faz hoje!
E a partir da semana que vem, vai fazer o que nunca fez (fora do campo de futebol): VAI FAZER MUITA FALTA porque vai estudar lá lonjão na América.
Deus o abençoe, filho Tercio.

11 de jul. de 2009

50 ANOS DE "EMOÇÕES"

Sábado, 11.07.2009: momentos atrás o Maracanã e uma rede nacional de TV (Globo) ligaram corações, mentes, olhos e ouvidos em Roberto Carlos que entrou em cena a bordo de um calhambeque e começou a desfilar seu tradicional (bota tradicional nisso) show de "emoções", com boas canções e não tao boas falas (mas, que importa?): 50 anos de carreira e o título de REI, o que, convenhamos, não é pouco.

Éramos meninos ainda quando Roberto começou a fazer sucesso contando a história de um velho Calhambeque e, em seguida, mandando todo mundo pro inferno. Vivíamos em Ipaussu (SP) nessa época, de forma que as "jovens tardes de domingo" da TV RECORD chegavam-nos apenas pelas ondas do rádio. Só tivemos TV em Ipaussu a partir de 1966 e, ainda assim, exclusivamente a TV Excelsior, já iniciando sua decadência. Essa TV não nos mostrava a Jovem Guarda, mas alguns de seus "expoentes" eram vistos por nós, lá no interior de São Paulo, em programas (pra usar um termo atual) "genéricos", comandados por Eduardo Araujo, ou "Os Incríveis". Roberto Carlos e sua jovem turma explodiam no Brasil - num movimento apelidado iéiéié - no vácuo do Rock'n Roll que já ganhara corações e mentes jovens em todo o universo e, naquele momento (respeitadas as limitações do rádio e da TV Excelsior) eram bem identificados em Elvis Presley, Bill Halley e Cometas, Little Richard e muitos outros que podem e merecem ser lembrados. Em meados dos anos 60 bandas como Beatles e Rolling Stones (ainda hoje rolling nas estradas) mudavam comportamentos, cabelos, roupas e padrões.
Ocorre que, no Brasil, iniciava-se um movimento pela recuperação da chamada MPB - música pop
ular brasileira, com destaque para o movimento chamado Bossa Nova, revalorização do samba, marchas e quetais. Além de Jobim, João Gilberto, Menescal, Vinicius e outros "Monstros Sagrados", um programa da mesma Excelsior ("Ensaio Geral") nos mostrava jovens promessas como Chico Buarque, Caetano e Bethania Veloso, Gil e muitos outros que se encontraram em seguida em festivais de MPB na Record.

Ante essa dualidade entre um movimento universal (rock'n roll) e um movimento nacionalista (MPB), ambos de boa qualidade musical, os moços se dividiam: uns odiavam Roberto e companhia bela; outros detestavam samba e bossa-nova. A "divisão" acabava refletindo um pouco a divisão ideológica de então: esquerda X direita, comunismo X capitalismo, reacionários X progressistas. Os que se imaginavam intelectuais, de esquerda, progressistas, em suma, "bons", aderiram ao lado nacionalista. E se proibiam de gostar de Roberto, Erasmo, Beatles e quem mais surgisse, misturando tolamente a arte e a política.

Ora, seria inconciliável ser comunista e gostar de canções de amor? Anos depois, vejo muitos desses fazendo um "mea culpa" e confessando que nas madrugadas amargas e sem testemunhas, se permitiam ouvir "essas canções". Entregavam-se às emoções de Roberto e demais românticos.

Os "outros", que ficaram do lado do "Rock iéiéié" acabaram aprendendo a gostar de MPB, apesar de, nos últimos anos, aceitarem o canto livre de sertanejos urbanos, bregas rurais e funk mulher melancia... Mas olha o preconceito ai de novo!!! Cante quem quiser, goste quem quiser... A verdade é que, lá em Ipaussu, aderimos aos dois movimentos até porque gostávamos, mesmo, é de Tonico e Tinoco, a música "caipira", antes de virar a "sertaneja urbana" da moda...

De volta ao Maracanã: já não participando de uma "corrida", ou uma disputa, mas andando na velocidade que quiser, em raia própria, Roberto Carlos hoje é mais que um cantor e compositor: é um ícone, uma identidade de gerações, um símbolo de lutas e um repositório de emoções ( "são tantas emoções"). Não é unanimidade ("toda unanimidade é burra", nos ensinou Nelson Rodrigues), mas isso, de certa maneira, é um elogio!

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11 de mai. de 2009

Bá e Mara - Avós...

O Basilio (Bá, Basilinho, Porcão, Puskas, etc.) é um desses amigos imprescindíveis. Já contei dele aqui e de seu casamento com a Mara (ambos na foto), cujo nome - Maria Conceição - ele só soube quase na hora do "sim".
Pois acabo de receber dele o seguinte e-mail: " Nasceu no Estado do Tennessee - USA, dia 07/05 (no dia do aniversário da Miloca -), a "Rainha das Americas", neta do Basilio!!Eu não sabia que uma neta deixava voce tonto, bobo e chorão!!".

Não entendi: bobo e chorão ele já era, a diferença é que agora é avô ( "Vovô Porcãooooooooooo!") da Larissa (na foto com os pais Maria e Adriano).
Deus abençõe a todos, especialmente a Larissa.

É... eu fico assim meio Tio-Avô da Larissa... Com orgulho!
[Para Registro: Mara é de Bernardino de Campos (SP), como eu, e o Basilio é de Ipauçu (SP), terra onde vivi dos 2 aos 18 anos]

14 de fev. de 2009

PELO TELEFONE

O estranho aparelho da foto, sem teclas e sem disco, é um telefone como usávamos lá no interior de São Paulo até inicio dos anos 70. Parece uma coisa muuuuuuito antiga né? Mas lembre-se, principalmente quem é do time que acredita que o mundo foi criado por Bill Gates que, em 1970, o Bill já tinha 15 anos. E hoje tem 52.
Mas e o aparelho, como funcionava? Bastava tirá-lo do gancho, girar a manivela e aguardar um pouquinho a telefonista:
--Boa tarde! Oooooooi é você? Ainda ontem falamos de você no enterro do Seu Manoel da Marcenaria...Parabéns por ter passsado no vestibular e blá, blá, blá!
-- Ah! Que bom Dona Alzira. Pode "me ligar" por favor no 49?
-- Claro! Boa tarde, abração para sua mãe e para você. E plugava um cabo no número 49 à sua frente. Porém, não raro, essa solicitação teria outra reação da telefonista:
-- Ih! Não tem ninguém lá! Dr.Rubens foi pra São Paulo com toda familia. Foi ao médico para uma revisão daquela cirurgia do mês passado, nada mais. O resto da familia foi passear mesmo e só voltam domingo.
Tinha outra maneira de ligr também (sempre girando a manivela e falando com a telefonista):
--Dona Alzira, "me liga" na casa do Paulo Cruca, por favor! Depois de tentar a conexão e ninguém atender, ela diria:
--Ninguém atende, mas vamos tentar na casa do Serginho porque agora mesmo ligaram de lá para a casa do Zillo e eu acho que a voz era dele... E se não estiverem lá é que já foi todo mundo pro ginásio.

E assim a vida seguia. Sentiu inveja, né? Pois no incio dos anos 70 a manivela foi substituida por um botão (uma campainha) para chamar a telefonista. Mas essa fase foi curta, porque logo sobreveio o telefone com um disco, uma peça circular com algarismos de 0 a 9. Dispensava a telefonista e para que se fizesse a conexão com o número a ser chamado, era preciso colocar o dedo em cada dígito e fazê-lo girar até o "clic"... Impessoal.
Aliás, foi dessas discagens que os marketeiros criaram os DISK-PIZZA, DISK-REMÉDIO, etc. Hoje não se "disca" mais, apenas digitamos sobre teclas, mas ainda se usa a expressão DISK. E por falar em expressão, para usar um telefone público éramos obrigados a comprar uma ficha metálica, redonda como uma moeda, que era depositada em local apropriado no aparelho. Se a ligação se completasse, isto é, se alguém atendesse lá no número chamado, a ficha caia para dentro do aparelho. E até hoje, quando entendemos uma idéia, compreendemos uma explicação como se tivesse ocorrido uma conexão completa, a gente diz que "caiu a ficha".
Muita gente nascida nos ultimos 15 ou 20 aos jamais viu algo assim, abraçada que está com magnificos aparelhos eletrônicos que tocam MP3, acessam internet, funcionam como GPS, mandam e recebem e-mails, tiram e armazenam fotos, mais outras 144 funções, entre as quais falar com alguém distante, uma conversa remota como em um telefone.
Viva o progresso. Antes uma ligação de Ipauçu para São Paulo podia demorar 10 ou 12 horas para se completar. Hoje o fazemos em segundos, para São Paulo ou qualquier lugar do mundo. Mas dá saudade da sensação de pertencer à aldeia, centralizada numa telefonista como Dona Alzirinha que ainda está lá em Ipauçu, com suas memórias. Caiu a ficha: hoje há mais tecnologia, antes, mais poesia.
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25 de out. de 2008

1970 - IPAUSSU (SP)

Imagine Ipaussu (SP) em 1970, sem internet, sem video-game - aliás, sem computador - um único e chato canal de TV (Excelsior já falecida). Durante o dia, além da escola, futebol, pescaria... À noite, o tempo sobrava... Namorar não era usual de 2a. a 6a.feira. Os bailinhos, uma ou duas vezes por mês, aos sábados ("os embalos de sábado a noite"). O velho Cine Riviera passava filmes B, renovados diariamente, mas, de qualquer forma, mal ocupavam duas horas de nosso tempo. Tínhamos que ser criativos. E criávamos: jornal, teatro, fanfarra, seresta...
Ai do lado um guardado do Toninho Campos (nosso "Rótula"), hoje em Penápolis (SP), sobre um grupo de teatro criado em 1970 pelo inesquecível louco e genial Hélio Brizola, à época apoiado pela Folha de Ipaussu, como atestam as assinaturas do Celso Egreja (Bina) e desse blogueiro menor, então "redator" da Folha. O convite foi mimeografado e depois individualizado ao destinatário por meio de uma máquina de escrever. Olha, quem souber, explique, por favor, a quem não sabe, o que é (ou era) um mimeógrafo (Boa sorte!Rs.).
Uma recordação gostosa, sem a pieguice da saudade inconsolável, mas com uma ternura antiga. E boa!

11 de set. de 2008

Um lugar chamado Ipauçu, o Panema e eu...

Meus pais se mudaram para Ipauçu quando eu tinha pouco mais de um ano de vida e lá fiquei até os 18 anos quando o fado levou-me pra Capital (os pais e a mana foram juntos, claro).
Assim vivi lá em Ipauçu toda essa etapa de formação de músculos e caráter, razão por que, quando precisei ir-me embora, cometi uma pequena canção, nesse estilo brega-sertanejo que depois virou praga.
Veja: tinha apenas 18 anos e tocava mal um violão, assim, a inspiração tinha limites de todos os tipos. Mas chegava até o Panema, jeito local de apelidar o Paranapanema, o rio que passa na cidade (divisa sul do estado de SP). Um belo rio...
Ai está a letra. Singela, pessoal e jovem (a canção quandocomposta, claro).


O meu Panema (1.971)
- I -
Quando a gente vai se embora
De tristeza a serra chora
Que não quer se separar
E se gente volta um dia
Pra fazer-lhe companhia
Ela põe-se a cantar

E na voz do meu Panema,
Ouço a vida tão serena
Que não quero mais deixar

O meu rio, o meu vale,
Minha vida, meu poema...
No mundo não há quem cale
O rolar do meu Panema!
(repete: No mundo não há quem cale
O rolar do me Panema).

- II -
Talvez um dia
Eu aceite a fantasia
Faça da vida poesia
E então volte pra ficar

Contar as mágoas
Pros gênios e pras fadas
Que vivem nas suas águas
Meu Panema meu lugar

O meu rio, o meu vale, etc...
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(Hoje essa canção me emociona um pouco mais porque o Raposa gostava dela e a cantava sempre. Agora o Raposa só canta no céu, junto com o Caju e com a Dona Miloca... Guenta ai turma!)

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ESPERANÇA

ESPERANÇA
(em um olhar sobre o lago de Ipauçu-SP)

Este é um recanto manso, imenso.
Água antiga de funda saudade,
Tempo vivido, campo e cidade!
Um mergulho infante e tenso
Uma vida descoberta, liberdade!

Saudade das emoções primeiras,
Baile, namoro, beijo assanhado,
Um vazio presente, um vivo passado,
O arquivo das letras ordeiras,
Pela dor do tempo gravado...

Passados colegas, mestres-guias,
Escolas intrigantes, integrantes,
Todos os povos, os imigrantes...
Saudade de viver em duas vias:
Quem se entrega, recebe antes!

Por fim, amigos n’outra dimensão
Por ora ensaiam a mais linda seresta...
Logo vamos cantar juntos, orquestra,
Sem contar tempo, sem galardão.
Há esperança mais linda que esta?


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FOTO DE IPAUÇU – SP - 2008 (onde vivi dos 2 aos 18 anos)