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6 de jul. de 2011

De novo os ipês, antecipando a florada

Essas fotos, todas as quatro, foram sacadas por mim, em setembro passado, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, exatamente em frente ao Ministério da Fazenda.

Elas mostram que nem a burocracia, nem o concreto pesado de Niemeyer rompendo o cerrado, conseguem disputar em beleza com os ipês que, ali plantados, não se fazem de rogados e demonstram toda sua graça e beleza no arrebol do inverno do planalto central.


Poesia concreta ou revolta discreta, a preponderante beleza das árvores por certo reduz a graça da arquitetura humana, mas, humilde, a natureza aceita a presença dos edifícios quadrados e dos burocratas sem forma, além dos carros nervosos que empanturram o lugar. A composição é bonita...
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No ano passado, já no primeiro dia de agosto, nosso texto dizia:

"Foi dada a largada para o mês de agosto e, cá no planalto central, a seca, mesmo que normal nessa época do ano, está forte, mais forte que o usual, castigando as pessoas e a paisagem. Porém a vaidosa natureza, faz florir ipês nessa época, salpicando o cenário com uma beleza única. Primeiro foram os ipês rosa (que muitos insistem em chamar de roxo... mas que são cor-de-rosa - ao menos na "classificação masculina das cores" - isso são!). Durante todo Julho enfeitaram a secura cinzenta da paisagem urbana, contra o céu azul ponteado de nuvens que não desabam... "

1 de ago. de 2010

IPÊS NO CERRADO

Foi dada a largada para o mês de agosto e, cá no planalto central, a seca, mesmo que normal nessa época do ano, está forte, mais forte que o usual, castigando as pessoas e a paisagem. Porém a vaidosa natureza, faz florir ipês nessa época, salpicando o cenário com uma beleza única.
Primeiro foram os ipês rosa (que muitos insistem em chamar de roxo... mas que são cor-de-rosa - ao menos na "classificação masculina das cores" - isso são!). Durante todo Julho enfeitaram a secura cinzenta da paisagem urbana, contra o céu azul ponteado de nuvens que não desabam. Durante o período de seca há muitas ocasiões em que somos capazes de apostar no "hoje chove", mas fica nas aparências.

Nessa passagem gregoriana de Julho pra Agosto, o tom rosa dos primeiros adereços da natureza entra em extinção e surgem, em meio à paisagem seca, ipês amarelos, talvez os mais bonitos entre tantos. E com um toque patriótico na ausência do verde que a falta de água, temporariamente, acinzentou.
Não se pode esquecer que é Inverno no Cerrado.

11 de set. de 2009

INFANTES SETEMBROS

Na praça central de Ipaussu (SP), bem em frente ao chafariz (foto), tem um coreto. De cada lado do coreto, um pé de ipê amarelo.
Nos setembros de minha infância, duas datas eram de festas na cidade: o 7 de setembro e o dia 20, aniversário da urbe. Nos setembros de minha infância chovia copiosamente, como chove neste ano de 2009, atrapalhando os desfiles - que deveriam ser grandiosos - desafinando os bumbos e repiques das fanfarras e fazendo água nas tubas da banda (como o gato na tuba do Serafim!).
Nada disso diminuia os festejos nem a animação dos alunos perfilados, primeiro no desfile e depois ali em frente ao coreto da praça, onde autoridades faziam discursos, poéticos, proféticos (às vezes patéticos) mas lavrados na alma simples - nem por isso menos cultas - do interior e lavados na água pura do céu.
De tudo isso, um detalhe inesquecível: flores amarelas caidas dos ipês - que surgem sempre antes da Primavera - repousando sobre a grama, criando um cenário verde-amarelo que se prestava às mais patrióticas menções, fazendo-nos crer, todos nós, que a Natureza conspirava com a chuva só para unir ali, ante nossos olhos, o verde e o amarelo e nos embalar em um conceito de Pátria do qual, vez ou outra, sinto saudade!

10 de ago. de 2009

ESTAÇÃO DO IPÊ

Antigamente se dizia que no Distrito Federal o ano tinha só três estações: da Seca, da Chuva e do Trem. Quem conhece a Brasília de hoje sabe que, nesse pedaço do Brasil, restaram só duas estações: a da Seca e a da Chuva. A do Trem, a cobiça e a burrice desativaram. Estações do metrô andam a passo de cágado (cuidado com o acento) e, de mais a mais, servem para fazer piada, mas não aportam poesia a um texto de "um" que lamenta a falta das estações que mais gosta: Outono e Primavera.
Mas esse começo de estação da seca tem um "que" de Outono, porque caem as folhas da maioria das árvores, secam os gramados e mudam as cores. Mudam de verde para cinza e marrom, exceto por um pequeno milagre que vem da mais profunda e mística essência de Brasília: as flores amarelas dos ipês que trazem um "que" de Primavera. Enfeitam as paisagens da cidade, em contraste com o intenso azul do céu, como o capricho de uma mãe bordadeira que enfeita a barra do vestido de debutante da filha única.

Ao invés de estação da Seca, acho que podemos promover esse tempo, em Brasília, a Estação do Ipê Amarelo
com céu azul. Azul de anil.