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9 de nov. de 2011

OUTONO EM LONDRES

Neste ano da graça de 2011 tive a honra de conhecer o Outono de Londres. Já tinha uma paixão imensa pela cidade, a "velha e pérfida Albyon" que conheci muitas vezes no Verão, na Primavera e até no Inverno. Mas não conhecia seu Outono (apesar de minha fixação pelos outonos do hemisfério norte).

Estive lá neste começo de novembro, pisando nas folhas coloridas, secas - por terem sido descoladas das árvores - e úmidas - por conta do clima que as umidifica todo o tempo - que cobrem as calçadas.

Mas mesmo nas calçadas sujas há uma graça especial, diferente da sujeira comum. Há um perfume frio de flores ressequidas, um aroma de folhas mortas, não como se sente em um processo de morte como um fim, mas como início da transformação que se segue ao inverno; e do qual cada estação é parte indispensável. Não há inverno sem um outono a preparar os caminhos...

Vi também seus parques de beleza reconhecida mas que, nesta época, são repintados pelo tempo e pelo tempo.
São muitos tempos que se amalgamam.
A fusão das folhas que adentram a terra para adubar as novas folhas que nascerão na primavera.

22 de set. de 2009

ESTAÇÃO DAS CORES (SUL E NORTE)

A partir de hoje começa um tempo de colorir o mundo: ao sul, as cores da Primavera; ao norte, as cores do Outono. Penso nesse tempo, entre 22 de setembro e 22 de dezembro, como a melhor época de cada ano, em qualquer dos hemisférios. Repito que prefiro os Outonos do Hemisfério Norte e as Primaveras do Hemisfério Sul. Em março, se invertem, mas longe da graça desta época do ano.

O tal El Niño deve mudar características climáticas dessas estações. Os dias frios devem demorar um pouco mais para chegar no Hemisfério Norte ("foram adiados", na linguagem sucinta e bela da imprensa portuguesa) enquanto, cá embaixo, chove mais e faz mais calor do que seria esperado para essa época.

Da Primavera espero, além do espetáculo das cores, a profusão de perfumes que ela oferece. Vale visitar Garanhuns, a cidade das flores de Pernambuco, ou Ivoti, sua congênere gaúcha; Joinvile (SC) é florida, como é Holambra (SP), nascida da união e da paixão de holandeses e brasileiros por flores. Mercados e praças em todo Brasil receberão, da Primavera, as flores, as cores e os perfumes.

Do Outono espero seu natural encanto. Quem puder (e quiser), vá ver de perto as paisagens européias ou, mesmo, um modesto passeio no Central Park em Nova Iorque, a pé ou, se tiver a companhia certa, numa carruagem puxada por cavalos brancos.

No mínimo, reveja "Outono em Nova Iorque" (dvd) e preste atenção nos encontros de Wynona Rider e Richard Gere no Central Park, nas cores e no encantamento. Pense se você também não cairia de amores, como caem as folhas depois de se enfeitarem com as cores do Outono.

EQUINÓCIO, HOJE, 18h 18min

Você pode até achar que eu to meio alucinado com a idéia, mas a verdade é que eu redescobri (para mim mesmo) o fato de o Brasil estar também no Hemisfério Norte. Claro que já sabia, ou soubera, mas deixara a informação guardada num daqueles arquivos de “outros assuntos” que às vezes a gente passa a vida sem reabrir. Pois bem, a capital do Estado do Amapá, Macapá, comemorará a chegada da primavera (hemisfério Sul) e do Outono (hemisfério Norte), hoje às 18h18 (hora de Brasília), porque é a única capital do Brasil cortada pela linha do Equador. Assim parte da cidade está no hemisfério Norte e a outra no Sul, bem como Estado do Amapá.

Muitos acorrerão ao monumento Marco Zero, um complexo turístico único no Brasil, onde está a linha do Equador, para “ver o Equinócio” o momento em que o sol distribui por igual sua energia entre o norte e o sul. A passagem do Sol pela linha do Equador. Quando se inícia o Verão no Hemisfério Sul o Sol está em cima do Trópico de Capricórnio (passa em cima da cidade de São Paulo), que corresponde a latitude de 23 graus e 27 minutos Sul; e quando é Inverno ele está no Trópico de Câncer, que corresponde a latitude de 23 graus e 27 minutos Norte. Nesse trajeto ele cruza a linha do Equador, de latitude Zero, nos meses de março e setembro. É o que irá acontecer hoje, às 18 horas e 18 minutos (Equinócio é uma palavra que vem do latim e significa "dia igual a noite". É quando a noite e o dia tem o mesmo comprimento de tempo).

Lá no tal Marco Zero existe o tal relógio de Sol, de 30 metros de altura (veja as fotos), que, bem no alto, tem uma abertura circular por onde passa a luz do Sol e somente no dia do Equinócio, pela passagem do Sol na linha do Equador geográfico pode se ver esse efeito da natureza acontecer. Os que estiverem no local serão privilegiados com essa visão do fenômeno. Imagine se eu não estou com uma vontade imensa de estar lá...

9 de set. de 2009

1o.aniversário do Blog: OUTONO

O primeiro "post" neste blog aconteceu em 08 de setembro do ano passado. E o tema era exatamente o outono que estava por chegar no hemisfério norte, assim como o blogueiro sabe estar no outono da sua existência. Uma linda estação!
Peço licença para reproduzir aquele primeiro texto sobre "o outono da vida", agregando a foto abaixo, tirada no Arcos de Valdevez, Portugal e postada no blog "atuleirus.weblog.com.pt":

"Prefiro ver e sentir o Outono ao norte do equador.
Lá como cá, as folhas caem no Outono, pois conhecem o tempo e as estações e “sabem” que sua hora chegou e devem deixar a vida para que outras folhas ocupem seu lugar. Mas, não se entristecem por isso; ao contrário, engalanam-se, explodem numa profusão de cores que só nesse tempo se vê. Cores inimagináveis ao sul do Equador.
Quando o Outono chega no norte é Primavera aqui (E a Primavera ao sul é mais bonita que a Primavera do norte). Mas, sul ou norte, as folhas caem no Outono. O vento e a chuva, elementos do tempo e do tempo ajudam nessa queda. Porém, lá no norte, quando o espectro de cores se completa, o vento em reverência, antes de derrubá-las de vez, faz com que bailem coloridas no ar, se misturem no céu, como um festival de bandeiras em feriado nacional (licença, Orestes Barbosa, Silvio Caldas). E a chuva as faz brilhar, mesmo no chão, antes que se conclua sua “saída de cena” e se inicie o processo de transformação em alimento para a própria flora.
Quando chega o Outono de nossa vida, acompanha-o a angustiante questão sobre como “sair de cena”, uma verdadeira “não opção” já decidida ao nascer. Como fazê-lo? Com discrição, como as folhas fazem ao sul, à espera de ressurreição na primavera? Ou revestir a alma do turbilhão de alegria que as folhas do norte escolhem sempre, mesmo sabendo que não voltarão e que novas folhas surgirão nos galhos de onde saíram?
Fico pensando que essas folhas que se colorem com o anúncio de seu fim, que festejam o seu próprio fim, acreditam em vida eterna. "
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10 de ago. de 2009

ESTAÇÃO DO IPÊ

Antigamente se dizia que no Distrito Federal o ano tinha só três estações: da Seca, da Chuva e do Trem. Quem conhece a Brasília de hoje sabe que, nesse pedaço do Brasil, restaram só duas estações: a da Seca e a da Chuva. A do Trem, a cobiça e a burrice desativaram. Estações do metrô andam a passo de cágado (cuidado com o acento) e, de mais a mais, servem para fazer piada, mas não aportam poesia a um texto de "um" que lamenta a falta das estações que mais gosta: Outono e Primavera.
Mas esse começo de estação da seca tem um "que" de Outono, porque caem as folhas da maioria das árvores, secam os gramados e mudam as cores. Mudam de verde para cinza e marrom, exceto por um pequeno milagre que vem da mais profunda e mística essência de Brasília: as flores amarelas dos ipês que trazem um "que" de Primavera. Enfeitam as paisagens da cidade, em contraste com o intenso azul do céu, como o capricho de uma mãe bordadeira que enfeita a barra do vestido de debutante da filha única.

Ao invés de estação da Seca, acho que podemos promover esse tempo, em Brasília, a Estação do Ipê Amarelo
com céu azul. Azul de anil.

21 de mar. de 2009

OUTONO, AQUI

Ontem começou o Outono cá no sul do mundo. Já confessei que prefiro o Outono do hemisfério norte da Terra (se desejar, leia aqui) e não posso renegar isso agora. Mas por aqui também tem seu valor e o primeiro bom sinal foi chegar acompanhado de uma sensível rebaixa na temperatura que andava insuportável - ao menos em São Paulo - nas últimas semanas.
A verdade é que todas as estações deveriam ser bem recebidas por nós, especialmente as estações da vida. Gosto de pensar que estou no meu Outono o que me dá liberdade com as cores, uma oportunidade de renovação, de recomeço, de refazer... sem que se possa (ou queira, ou precise) voltar atrás na linha do tempo.

(a foto é de Taylors, SC, EUA - em frente à casa da Ise, Emilio e Sassapeca - em 2007)

30 de set. de 2008

PRIMEIRAS RUGAS DE OUTONO


Achei que iria voltar ao hemisfério sul sem perceber o Outono, exceto no calendário e nas liquidações dos magazines. Mas após três dias já sentia sua tímida chegada, assim como as primeiras rugas buscam espaço nos detalhes de rostos bonitos de jovens senhoras. As mulheres, normalmente, entram em pânico com esses primeiros sinais... Se soubessem como ficam mais belas, mais suaves. Quando a sabedoria envolve o encanto, a beleza é homenageada.

Mas voltando à terra, do norte e olhando com atenção, se percebia que a temperatura já caia pela noite e trazia nas mãos as primeiras mudanças, os primeiros amarelos e marrons salpicando o monótono verde... Como os pequenos sinais que embelezam ainda mais um rosto bonito.

Que bom que estações se sucedem... De verdade, nenhuma é melhor que a outra. Todas têm problemas e delícias. Sai do Outono do Norte e vim sentir os primeiros perfumes da Primavera aqui no meu Brasil... Por via das dúvidas, comprei um Azzaro no Free Shop! Sorry...

26 de set. de 2008

Nós na América (parte III): O OUTONO

Encontramos o Outono no tempo do calendário, mas ainda não no tempo que estamos vivendo aqui. O Verão resiste, parece hesitar em ceder seu lugar, como muitos conhecidos nossos fazem ao longo do tempo, agarrados ao que não mais podem ter ou ser. Principalmente os que se agarram ao poder!
Aqui, as árvores parecem iguais, ainda verdes... só com muita atenção se descobre as primeiras folhas mudando de cor; já ocorrem quedas em maior quantidade, auxiliadas por um vento que cresce nos ouvidos e nos cabelos dos que têm. Mas o Outono, oficialmente no ar, ainda não mostrou sua face real. Nem expulsou o calor, nem trouxe, como numa compensação, a beleza da plumagem colorida para enfeitar a natureza. Fosse no Brasil e diríamos que a nova estação ainda não “pegou”. Como ocorre com algumas leis!
Mas tudo é uma questão de dias. Mais ao norte, a estação já é mais perceptível. Na verdade estamos na metade sul do hemisfério norte.
Na nossa vida também é assim: muda-se de estação inexoravelmente, mesmo que tentemos nos agarrar ao passado. Ou segurá-lo em um presente efêmero
.

8 de set. de 2008

NO OUTONO DA VIDA

(2008)

Prefiro ver e sentir o Outono ao norte do equador. Lá como cá, as folhas caem no Outono, pois conhecem o tempo e as estações e “sabem” que sua hora chegou e que devem deixar a vida para que outras folhas ocupem seu lugar. Mas, não se entristecem por isso; ao contrário, engalanam-se, explodem numa profusão de cores que só nesse tempo se vê. Cores inimagináveis ao sul do Equador.

Quando o Outono chega no norte é Primavera aqui (E a Primavera ao sul é mais bonita que a Primavera do norte). Mas, sul ou norte, as folhas caem no Outono. O vento e a chuva, elementos do tempo e do tempo ajudam nessa queda. Mas no norte, quando o espectro de cores se completa, o vento em reverência, antes de derrubá-las de vez, faz com que bailem coloridas no ar, se misturem no céu, como um festival de bandeiras em feriado nacional (licença, Orestes Barbosa, Silvio Caldas).

E a chuva as faz brilhar, mesmo no chão, antes que se conclua sua “saída de cena” e se inicie o processo de transformação em alimento para a flora.

Quando chega o Outono de nossa vida, acompanha-o a angustiante questão sobre como “sair de cena”, uma verdadeira “não opção” já decidida ao nascer. Como fazê-lo?
Com discrição, como as folhas fazem ao sul, à espera de ressurreição na primavera? Ou revestir a alma do turbilhão de alegria que as folhas do norte escolhem sempre, mesmo sabendo que não voltarão e que novas folhas surgirão nos galhos de onde saíram?
Fico pensando que essas folhas que se colorem com o anúncio de seu fim, que festejam o seu próprio fim, acreditam em vida eterna.