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1 de jul. de 2011

RUGAS DE INVERNO

Ontem olhei, com mais atenção, o velho espelho e percebi as rugas ao lado dos olhos. Levei um baita susto! Talvez já as tivesse visto antes, mas provavelmente não com a mesma atenção de ontem. Dizem que os gordos demoram a ter rugas (ou a mostrá-las) e talvez por isso só as tenha notado agora.

Mas – sustos à parte – mirei-as sem mágoa, sem lamento, só com o olhar de quem põe no foco, com uma dose de ternura (outra de saudade), as folhas do flamboyant caindo no milagre do outono. Se a natureza, na véspera do inverno, acinzenta a paisagem multicor, o corpo humano também dá claros sinais de que se aproxima a nova estação.

Vida que segue...



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10 de ago. de 2009

ESTAÇÃO DO IPÊ

Antigamente se dizia que no Distrito Federal o ano tinha só três estações: da Seca, da Chuva e do Trem. Quem conhece a Brasília de hoje sabe que, nesse pedaço do Brasil, restaram só duas estações: a da Seca e a da Chuva. A do Trem, a cobiça e a burrice desativaram. Estações do metrô andam a passo de cágado (cuidado com o acento) e, de mais a mais, servem para fazer piada, mas não aportam poesia a um texto de "um" que lamenta a falta das estações que mais gosta: Outono e Primavera.
Mas esse começo de estação da seca tem um "que" de Outono, porque caem as folhas da maioria das árvores, secam os gramados e mudam as cores. Mudam de verde para cinza e marrom, exceto por um pequeno milagre que vem da mais profunda e mística essência de Brasília: as flores amarelas dos ipês que trazem um "que" de Primavera. Enfeitam as paisagens da cidade, em contraste com o intenso azul do céu, como o capricho de uma mãe bordadeira que enfeita a barra do vestido de debutante da filha única.

Ao invés de estação da Seca, acho que podemos promover esse tempo, em Brasília, a Estação do Ipê Amarelo
com céu azul. Azul de anil.