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27 de set. de 2009

CONTROLE

Se a saudade é maior que a esperança, resta o controle,
O controle remoto
,
O brinquedo maroto
Que muda o programa, o canal, a estação...

É pena que a estação que sufoca

E faz chorar pela vida que passa ligeira

Com desapego a viver e sonhar,

Não tem controle que controle

Sem mudar vida inteira,

Sem eira, sem beira ou paixão.

Mágoas

Mágoas são águas desse rio debaixo da ponte da estrada
Que passo no escuro

No passo futuro

Sem saber se essa ponte é inteira e se se inteira do fado,

Ou acaba em repente...

E o passo indolente faz mergulhar nesse rio do frio sem fim,

Onde águas e mágoas são rio inclemente
Insolente, cadente,

Como as quedas do Outono, no sono eterno que já vem
perto, ligeiro,
Inverno de mim.

17 de mar. de 2009

Parto


Cruzo em passos moucos esse vale estranho,

Sem cena visível, audível ou sonhável,

Vale sem dores, penumbras, odores, catacumbas!

Sem Vida!

Esse o vale sem morte,

Vale sem sorte,

Meu vale!

Minha fenda escarlate cravada no centro

Fundida no calor do malho do ferreiro

Nas patas ligeiras do alazão do tempo,

Cujo nomeé MEDO,

Medo de voar!

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