14 de fev. de 2009

PELO TELEFONE

O estranho aparelho da foto, sem teclas e sem disco, é um telefone como usávamos lá no interior de São Paulo até inicio dos anos 70. Parece uma coisa muuuuuuito antiga né? Mas lembre-se, principalmente quem é do time que acredita que o mundo foi criado por Bill Gates que, em 1970, o Bill já tinha 15 anos. E hoje tem 52.
Mas e o aparelho, como funcionava? Bastava tirá-lo do gancho, girar a manivela e aguardar um pouquinho a telefonista:
--Boa tarde! Oooooooi é você? Ainda ontem falamos de você no enterro do Seu Manoel da Marcenaria...Parabéns por ter passsado no vestibular e blá, blá, blá!
-- Ah! Que bom Dona Alzira. Pode "me ligar" por favor no 49?
-- Claro! Boa tarde, abração para sua mãe e para você. E plugava um cabo no número 49 à sua frente. Porém, não raro, essa solicitação teria outra reação da telefonista:
-- Ih! Não tem ninguém lá! Dr.Rubens foi pra São Paulo com toda familia. Foi ao médico para uma revisão daquela cirurgia do mês passado, nada mais. O resto da familia foi passear mesmo e só voltam domingo.
Tinha outra maneira de ligr também (sempre girando a manivela e falando com a telefonista):
--Dona Alzira, "me liga" na casa do Paulo Cruca, por favor! Depois de tentar a conexão e ninguém atender, ela diria:
--Ninguém atende, mas vamos tentar na casa do Serginho porque agora mesmo ligaram de lá para a casa do Zillo e eu acho que a voz era dele... E se não estiverem lá é que já foi todo mundo pro ginásio.

E assim a vida seguia. Sentiu inveja, né? Pois no incio dos anos 70 a manivela foi substituida por um botão (uma campainha) para chamar a telefonista. Mas essa fase foi curta, porque logo sobreveio o telefone com um disco, uma peça circular com algarismos de 0 a 9. Dispensava a telefonista e para que se fizesse a conexão com o número a ser chamado, era preciso colocar o dedo em cada dígito e fazê-lo girar até o "clic"... Impessoal.
Aliás, foi dessas discagens que os marketeiros criaram os DISK-PIZZA, DISK-REMÉDIO, etc. Hoje não se "disca" mais, apenas digitamos sobre teclas, mas ainda se usa a expressão DISK. E por falar em expressão, para usar um telefone público éramos obrigados a comprar uma ficha metálica, redonda como uma moeda, que era depositada em local apropriado no aparelho. Se a ligação se completasse, isto é, se alguém atendesse lá no número chamado, a ficha caia para dentro do aparelho. E até hoje, quando entendemos uma idéia, compreendemos uma explicação como se tivesse ocorrido uma conexão completa, a gente diz que "caiu a ficha".
Muita gente nascida nos ultimos 15 ou 20 aos jamais viu algo assim, abraçada que está com magnificos aparelhos eletrônicos que tocam MP3, acessam internet, funcionam como GPS, mandam e recebem e-mails, tiram e armazenam fotos, mais outras 144 funções, entre as quais falar com alguém distante, uma conversa remota como em um telefone.
Viva o progresso. Antes uma ligação de Ipauçu para São Paulo podia demorar 10 ou 12 horas para se completar. Hoje o fazemos em segundos, para São Paulo ou qualquier lugar do mundo. Mas dá saudade da sensação de pertencer à aldeia, centralizada numa telefonista como Dona Alzirinha que ainda está lá em Ipauçu, com suas memórias. Caiu a ficha: hoje há mais tecnologia, antes, mais poesia.
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7 de fev. de 2009

CATARINICES, PARTE 3 - DEMARCAÇÃO DE TERRENO

Catarina, a Pit, é rápida no gatilho! O que tem de linda e doce tem de brava... Dou-lhe uma idéia: Tercio é um cara dificil de acordar. Odeia acordar! E acorda de mau humor, ao menos por alguns minutos (depois, volta ao normal). Ninguém gosta de acordá-lo e se transformar, por alguns minutos em alvo da sua ira. O que fazer? Chama a Pit que, nessas horas incorpora o capitão Nascimento e enquadra o Tercio... que acorda pianinho. Se Tercio anda se esquecendo de alguma coisa, meio desleixado com outra, chama Pit. Que enquadra o irmão!

Pois foi inusitado (apesar de esperado) o que vimos dia desses quando alguém de fora, desavisado, tentou criticar o Tercio na frente dela e recebeu uma enquadrada daquelas de perder o rumo de casa. Só balbuciou: "mas você também critica ele...". Nem chegou ao final da frase e ouviu uma voz decidida: 'O IRMÃO É MEU, CRITICO EU!" Todos, até a Sininho (a yorkshire), captaram a mensagem e botaram o rabo entre as pernas...

6 de fev. de 2009

Por um dia como antigamente (by Tercio)

Em 22 de Abril de 1918, perto do fim da Primeira Guerra Mundial, o corpo do alemão Manfred Von Richthofen foi sepultado por seus oponentes. Conhecido por seus memoráveis feitos militares, incluindo a recordista façanha de derrubar 80 aviões inimigos em combate, o Freiherr, o "Free Lord" ou o ainda o Barão Vermelho, como ficou conhecido por seu avião vermelho e sua origem nobre, é o representante maior de uma maneira especial e diferente de se combater nessa guerra.

Em contraste aos desumanos combates travados em solo, dentro de fétidas e úmidas trincheiras, as batalhas aéreas da Primeira Guerra tinham enorme semelhança com as famosas Justas de Cavalaria da Idade Media. Nessas Justas, realizadas em torneios, o cavaleiro com sua enorme lanças de madeira cavalgava em direção ao seu adversário em arenas de até 300 metros, buscando derruba-lo de seu cavalo e junto com isso a honra e a gloria que a vitória atrelaria ao seus nomes. Não se buscava a morte do oponente (embora não tão raro isso acontecesse). A prova final de sua habilidade e o merecido respeito eram amparados por todo um sistema e um código de honra que regulava suas ações, descritos em parte na honra e no respeito aos adversários.

Se recuarmos a Roma antiga, dentro do Coliseu cerca de 70 mil pessoas se reuniam para presenciar diversos jogos cuja principal atração era a famosa batalha entre gladiadores. Há um aspecto interessante que muitas vezes passa despercebido quando se fala dessas batalhas. Embora nesse caso a margem de mortos fosse consideravelmente maior que numa Justa Medieval, uma grande parte desses combatentes vencia na verdade, pelo cansaço. Eles lutavam tão avidamente, por tanto tempo e muitas vezes com armaduras tão pesadas, que a batalha terminava não quando alguém era levado a morte, mas quando exausto, dizia que não agüentava mais e pedia pra parar (De forma semelhante como viria a fazer um lutador de Jiu-Jitsu imobilizado no tatame, ou um novo recruta quando treinado pelo implacável Capitão Nascimento). No final, cabia ao público e ao imperador decidir pela vida ou morte do derrotado.

Essa decisão normalmente se baseava no quanto o publico compreendia que aquele oponente, mesmo que derrotado, tinha lutado ou não com bravura e habilidade. Se a resposta fosse positiva, um sinal positivo era feito com o dedo polegar e sua vida era poupada, no melhor estilo Big-brother. Vale aqui destacar que, apesar da diferença da gravidade da problemática em análise, existe um profundo abismo entre os critérios culturais e morais na análise e julgamento utilizados pelo público, em relação a nossa televisiva versão contemporânea.

As batalhas dos pilotos da primeira guerra tinham também seus códigos. Por exemplo, nunca se atirava num piloto que perdesse o combate e pulasse com um pára-quedas de seu avião. Uma vez este derrubado, a batalha estava ganha e não havia mais razão para se continuar a perseguição. Alguns diriam que os generais que ficavam no solo se
aborreciam profundamente com esses sistemas e essas batalhas, dizendo que os pilotos seriam muito mais úteis bombardeando os campos inimigos do que travando esses duelos pessoais.

O episodio do enterro de Manfred Von Richthofen é descrito como uma homenagem digna de um herói. Celebrada em solo inimigo, por combatentes dos exércitos inimigos. Centenas de pilotos compareceram e comenta-se ainda que vários deles chegaram a chorar na cerimônia. Certamente, esses pilotos "marchavam ao som de um outro tambor".

Penso que talvez exista mesmo alguma razão no pensamento que diz que "os mortos governam os vivos". Ou quem sabe, apenas existam alguns princípios que no fundo governem os dois...

No dia 01 de fevereiro de 2009 fui alegremente surpreendido por um singelo episodio no esporte mundial. Na sua devida proporção, especificidade e claro, imerso na implacável piscina da sua temporalidade. No mesmo instigante principio esse episodio na verdade, foi o que se inspirou toda essa reflexão.

Não diria que sou um grande fã desse esporte... Mas certamente, fiquei fã desses caras.
Fica aqui o episodio (endereço do you tube) nas palavras deles mesmos. Eu não poderia fazer melhor...



(Este texto acima é de autoria do Tercio (o filho historiador) que não tem - ainda - um blog. Aliás, quem tem também um blog é o Emilio Neto (o filho teólogo) que por coincidência, escreveu sobre o mesmo assunto, motivado pelo mesmo evento. o texto se chama Rivalidade, Agonia e Maestria. Clique aqui para parte 1. Vale a pena dar uma conferida. Honra ainda é importante...)

31 de jan. de 2009

DECIDIR É... FADA!

As cãs (os velhos cabelos brancos, mesmo pintados ou desaparecidos) nem sempre facilitam o processo de decisão de cada um de nós! Já nos demos conta que, para muitas pessoas, o passar do tempo só faz aumentar as dificuldades para decidir. Ora, os que ficaram jovens mais recentemente do que nós, se não têm a chamada "experiência de vida", também não costumam carregar nas costas um histórico grave de erros e assim, para eles, tomar decisões mesmo as grandes, lhes parece mais fácil. Contudo, nós outros, “jovens mais antigos”, ao contrário, já acumulamos tantos erros que vez por outra entramos em pânico até por decisões mais simples como a cor do novo automóvel, depois do "perrengue" que foi a decisão de trocar o carro velho.
Conto-vos um segredo: eu conheço uma Fada. De verdade! Filha do Fado, nasceu no instante imediato ao “dia das bruxas”, de forma que na sua argamassa placentária restava alguma poeira bruxesca, que acabou dando sabor e graça à sua condição de fada. Ou de faduxa! Pois, algum tempo atrás, ela comemorava mais um aniversário (não se pergunta a idade delas!) quando, além dos votos tradicionais, desejei-lhe “sorte nas escolhas e lucidez nas decisões”, por crer que “sabedoria acumulada na vida” e uma “pitada de sorte”, dariam a “garrafada” perfeita da poção da felicidade. E das decisões perfeitas...
Com seu sorriso mais doce, a fada respondeu-me : “...tento acertar (não fico em cima do muro), faço minha parte, tomo minhas decisões, mas não dá pra brincar de adivinho: faço as escolhas que me parecem certas no momento e vou vivendo minha vidinha, que viver é tão complicado que não dá pra ter certeza absoluta que escolhemos bem! A gente só espera que sim...” Ai viajou,
mesmo
sem vassoura, e complementou: ”Deviam inventar o sistema de rascunho: primeiro você rascunharia sua vida e depois, se gostasse – só se gostasse – passaria a limpo... E pelo desejo de “lucidez nas decisões”, confesso que venho tentando conjuga-la com minhas emoções, de forma a tentar fazer o melhor da minha “mão” nesse jogo da vida...”
Simples assim! Todo mundo já tomou decisões que, algum tempo depois, concluiu que seria melhor se tivesse tomado outro caminho, decidido de outra forma. Mas o sorriso da Fada reafirmou, ao meu coração, algo que a mente talvez já soubesse: a decisão tem que ser a "coisa" certa naquela hora que é tomada. E a “sorte” na escolha depende muito da dose adequada de emoção, em um processo de aprendizado que nunca termina.
Uma decisão tomada em certo momento é certa “naquele momento”.

17 de jan. de 2009

O MILAGRE DO POUSO

Dia 15.janeiro.2009 será sempre um dia inesquecível para Chesley B Sullemberger III – o Sully – e para, pelo menos, mais 154 passageiros do Airbus A320, um avião que ele pousou com perícia e graça no leito do Rio Hudson em Nova Iorque.(veja o gráfico abaixo a direita. Para ampliar clique sobre ele.) Nenhuma vitima! Todos deixaram o avião e foram recolhidos por barcos que trafegam diariamente ali, pertinho do coração novaiorquino. E, com justiça, Sully é o herói do momento. De um momento carente de heróis. Tem 57 anos e mais de 19.000 horas de voo, Especialista em segurança de vôo, é piloto há mais de 40 anos e iniciou a sua carreira na Força Aérea norte-americana.
Ao mesmo tempo, o mundo vive uma das maiores crises econômicas da História e ela teve seu “anuncio formal” em 15 de setembro passado (quebra do Banco Lehman), exatos 4 meses antes do que agora é chamado “milagre do Rio Hudson”. Em comum? Quase nada, além de terem ocorrido, ambos os eventos, em Nova Iorque, com a fina ironia que um dos fatos – a crise – nasceu da imperícia de pilotos de bancos e "agencias reguladoras" e o outro – o milagre – só foi possível porque a pilotagem foi primorosa.
Muito já foi dito sobre instituições financeiras e “agencias reguladoras” estarem sendo pilotadas por gente muito bem preparada nas escolas e ultra-especializada no uso de tecnologia de ultima geração, porém inexperiente. Como Sully demonstrou, se um avião é atingido por uma revoada de pássaros, de surpresa, afetando mortalmente seu funcionamento, não dá tempo de consultar nem um manual, nem o Google. Sully só teve alguns segundos não só para tomar as decisões certas, como conduzir pessoalmente os procedimentos necessários. Muito diferente dos “pilotos financeiros”, enaltecidos e “bonificados” (em dinheiro) enquanto persistia um cenário calmo, um verdadeiro “céu de brigadeiro” na economia mundial, porém, na primeira crise séria caíram de bico no chão (ou no colo de governos em todo o mundo).

Ainda ontem, dia 16, assistimos pasmos ao anuncio de mais socorro financeiro, em valores astronômicos, ao Citibank e ao Bank of América, para salvá-los de afundar nos rios gelados no universo. Isso, depois de socorrer Merril Lynch, Bear Sterns, Wachovia, Fanny Mãe, Freddy Mac e e muitos outros “menos votados”. A maioria dos pilotos dessas instituições havia recebido louvores (e bônus financeiros, claro) pela decolagem, pela lotação, pela "qualidade" do vôo enquanto o mundo estava sem crises mas, quando suas “naves” tiveram que enfrentar um contratempo e afundaram, a maioria já tinha saltado fora.
Sully é diferente: sua “louvação” veio depois, porque soube pousar a nave, nas condições mais adversas. Seu maior bônus é ser chamado, para sempre, de herói. Competente e experiente.

14 de jan. de 2009

Sobre Penicos

Dia desses fiquei de falar do penico um utensílio que já foi de intenso uso doméstico, mas que hoje é de uso cada vez mais restrito. E muita gente nunca o conheceu, pelo menos no auge de seu "estrelato". Segundo o dicionário, penico ou urinol é um “vaso apropriado para nele se urinar e defecar”. Também pode ser chamado “bacio” ou “bispote”, termos que, confesso, não conhecia! Feita a apresentação formal, vamos ao que interessa: a coisa real!
Tempos atrás, não muito (se você ainda não era vivo, sua mamãe já era - respeitosamente), havia grande dificuldade para construção de banheiros dentro das casas, por causa, principalmente, da falta de rede pública de esgotos. Por isso, havia necessidade de dirigir os dejetos a uma fossa séptica e assim, ao invés de banheiros internos – como é usual hoje – eram construídos numa “casinha” à parte, 20 ou 30 metros longe da “casa principal”. E diretamente sobre a tal fossa séptica.
Algumas poucas casas, de pessoas mais abastadas, dispunham de banheiro interno, mas raramente havia mais do que um banheiro em uma casa, mesmo que ali morassem, por exemplo, 20 pessoas, em seis ou mais quartos. Já havia chuveiros rudimentares, mas os banhos, normalmente em bacias e com ajuda de canequinhas, ficavam em ambientes separados, o que não impediu que ambos, o ambiente de banho e o ambiente sanitário, acabassem na história simplesmente como “banheiros”. Os edifícios de apartamentos talvez tenham sido os responsáveis pelo crescimento de uso de banheiros internos, até porque nos prédios altos nem há outra solução.

Mas, o que queremos contar é que, por conta dessas “dificuldades sanitárias”, diariamente as pessoas levavam para seu quarto e depositavam discretamente debaixo da cama, um penico
como esses ai da ilustração, principalmente para colher aquele xixizinho básico da madrugada. Evidentemente, as noites frias ou chuvosas desencorajavam uma caminhada até a tal casinha, além de haver sempre quem tivesse medo de sair de casa na madrugada. Por conta disso, nessas ocasiões, o penico recebia coisas mais sólidas, de forma que, ao amanhecer, os primeiros a acordar eram premiados com o cheirinho característico da penicaiada espalhada no chão e escondida pela beirada do lençol. Na cena seguida, após o cantar do galo ou o soar do despertador, surgia a fila de sonolentas pessoas, cada qual portando seu próprio penico como quem portava uma oferenda a um deus pagão, para limpeza desses utensílios no “banheiro” externo. Logo após essa “cerimônia”, o cheiro do café e o ar puro da manhã davam fim a essa sinfonia de cheiros colhidos na madrugada. E os penicos limpos eram recolhidos a espera da próxima noite.

[Os penicos ainda hoje são usados e atendem principalmente às pessoas doentes, nos hospitais e em casa, e nas muitas áreas que a saúde pública não alcança com suas redes de água e esgotos].

28 de dez. de 2008

UM DIA ESPECIAL - UM NOVO PASTOR

O ano que ora vive seus estertores foi especial, pródigo em emoções, além dos altos e baixos do que se convencionou chamar "vida normal". Esse 2008 sempre será especial por ter sido o ano em que Emilio (EMILIO GAROFALO NETO) se tornou um Pastor, reconhecido pelos, agora, pares da Igreja, em cerimônia realizada no último 14.12.2008, na Igreja Presbiteriana de Brasília. Foi uma sucessão de emoções... A maior delas, quando pela primeira vez, ergueu seus braços do púlpito para impetrar a benção apostólica, valendo-se do texto que finaliza a Epístola de Judas:
Àquele, que é poderoso para nos preservar de toda queda e nos apresentar diante de sua glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém.
Sua luta, nessa etapa de preparação ainda não terminou. De braço com Anelise (que companheira!!!) voltou ao Mississipi onde luta pelo Doutorado em Teologia e, em pouco mais de dois anos, volta ao Brasil para dar sequencia à sua missão.
Deus os abençoe...muito e sempre!
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ANGÚSTIAS DE REVEILLON

O que é essa “angústia” que a gente tanto fala e tanto sente? Será aquele copo de medo, com uma pitada de impotência, que se bebe sem parar a caminho do cadafalso?
Tem cheiro de saudade do tudo e do nada; tem sabor de tristeza pelo fato em Si, pelo fado em Fá, pela vida em Dó...
Um buquê de emoções que preferiríamos não portar, jamais. Mas que é inescapável, como a morte!
Adão angustiou-se, por medo, após pecar, segundo o relato bíblico do primeiro ser humano. E logo depois foi desterrado do Paraíso e começou a morrer, como sabia ter se tornado inevitável!
Estou seguro que nem toda angústia leva à morte, mas acredito piamente que toda morte seja precedida de angústia. Por isso é que, comumente, associamos nossos momentos angustiosos, com morte.
O próprio Cristo sentiu angústia, no Getsêmani, tão intensa, que suou sangue, na véspera de Sua crucificação profetizada e necessária (por nós, não por Ele)! Que Ele sabia ser inevitável.
Angústia produz calafrios, febre, seca a boca, faz doer a cabeça e as juntas. Mas também faz perdoar, minimizar algo que já causou engasgo em um relacionamento; que já forçou uma mudança de caminho, uma saída, um abandono... Quando angustiados, tudo muda de tamanho!
Florbela Espanca, a poetiza lusitana, chegou a fazer uma certa exaltação de sua própria angustia: “há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!”. Suicidou-se aos 36 anos, em 1930...
O fim de ano, de cada ano de vida ou do calendário, nos traz uma dose extra de angústia, por forçar a lembrança do inexorável tempo, que nos aproxima da tumba. O calendário – essa convenção humana – se tem o dom, sempre louvado, de nos sugerir uma chance de recomeçar, de refazer, de repensar, também nos traz a lembrança que a viagem continua, os passos não param. E que o verdugo já afia sua lâmina...

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18 de dez. de 2008

SAUDADES (COMPLETO)

Do que tenho eu saudade?
A tenho d’alguns momentos,
Mas não de alguma idade!
Saudades de sentimentos
Limados na realidade...

Verdades que a vida ensina
Quando sabota ilusões:
“O homem vai cuidar do clima
Vida e Paz terão legiões,
Justiça estará por cima!”

Ah! Saudades de sonhos idos
Quando cria nas pessoas
Cria em dons prometidos
Em versos que eram loas
A valores já esquecidos!

“Honra, caráter, respeito”
“Luta limpa” ; “lealdade”
Saudade de pensar desse jeito
Não de ter menor idade
Com tanta mágoa no peito.

Saudade que pede censura
Do amor que pensava existir
Como um bem que sempre dura,
Que brilha sem queimar ou polir.
Saudade com nome? Loucura!
-.-

ESCARRADEIRA

Era menino ainda quando me contaram que, muito antigamente, as pessoas costumavam ter na sala de visitas um curioso utensílio, hoje quase desconhecido, chamado “escarradeira”. Era assim: quando uma visita desejava cuspir, ou escarrar, era ali que se recolhia o resultado da “tossida” (veja o modelo da foto, bem bonito!). E era particularmente útil, segundo dizem, por ser a tuberculose bastante comum, à época (final do século XIX, início do XX), e por isso, quando a pessoa danava a tossir e escarrar, era bom mesmo ter um recipiente adequado... Ou um guarda-chuva (eca!)

Tudo isso como um preâmbulo para, em fim, dizer que se hoje todo mundo acha normal ser proibido fumar em tudo quanto é canto, mal sabem que, até 10 ou 15 anos atrás, não existia ambiente sem um “cinzeiro” (tem gente que nunca viu um...). Fumar era totalmente liberado aqui no planeta Terra: na sua casa, no elevador, no avião, no cinema, no metrô... O visitante, quando estava na sala da gente, simplesmente acendia o cigarro, sem pedir licença, pois era o ato mais “natural” do mundo! Se muito fino, oferecia cigarros aos “da casa” que normalmente se apressavam a oferecer um café – que faz boa dupla com o cigarro – e um cinzeiro, caso não estivesse previamente à mão, como seria normal! Havia cinzeiros de prata, de cristal, ouro, bronze, formatos estranhos, uma infinidade! Cheguei a ser um colecionador de cinzeiros...
Fumar era trivial. Nas viagens de ônibus, metrô, avião, como fosse, a maioria dos passageiros era fumante... Elevadores tinham cinzeiros incrustados nas paredes (no centro da cidade de São Paulo, nos prédios mais antigos, ainda os há!). Fumava-se na sala de aula, no cinema e no teatro. O ambiente de trabalho dispunha de cinzeiros em todas as mesas. E assim por diante...
Olhe aqui: em poucos anos alguma criança vai se escandalizar ao saber que as pessoas tinham cinzeiros em casa e que se fumava em qualquer lugar do mundo, exatamente como me escandalizei ao saber das escarradeiras. Voce também, né?
Dia desses conto a história do penico, também chamado urinol.

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Sobre supersticiosos

Acho os supersticiosos, em geral, arrogantes. Acreditam que todo o universo se curva às suas manias e que, com gestos, atos e patuás comandam tudo! Permita-me perguntar: pode ser normal um cidadão achar que o Brasil ganhou a copa do mundo de futebol porque um sujeitinho, no alto da sua insignificância, aqui em Sampa ou em Quixeramobim, usou – durante os jogos – a mesma camisa usada na copa anterior, sem lavar e, ainda por cima se sentou na mesma posição na sala? Ah! E assistiu pela Globo (com o som baixo pra não ouvir o Galvão), com o rádio ligado e bebendo cachaça com groselha, exatamente como fizera na copa anterior. Pouco importa a escolha adequada dos jogadores, os treinamentos, a dedicação da equipe, nada disso! O supersticioso tem certeza que a vitória veio graças à sua mandinga aqui no solo pátrio.
Outros dizem que “toda vez que eu vou ao Guarujá, chove!”. Ou seja, Deus, de repente deixa de cuidar de todos os grandes problemas do Universo para fazer chover naquele pedacinho de praia, só pra sacanear o fim de semana do supersticioso. Como ele é importante!
Bom, tem os que só viajam de gravata amarela, porque, d’outra forma, dá azar! Entendo: se a segurança da aviação soubesse que a gravata do dito cujo garante a tranqüilidade do vôo, poderia destruir os equipamentos todos do aeroporto, bem como desligar o computador de bordo e demitir o piloto. Afinal, a gravata do cara está lá, pendurada no seu pretensioso pescoço, para garantir vôo perfeito e pouso nota 10.
Ainda tem o cantor que só canta vestido de azul porque outra cor dá azar! Deus lhe deu bela voz e o dom de cantar; ele dispõe das melhores canções, treinou com os melhores mestres e se faz acompanhar dos melhores músicos. Mas seu sucesso se deve à sua “aguçada percepção” da importância da cor da roupa...
São chatos arrogantes ou não? Implicância minha? Cê acha?
-()-

17 de nov. de 2008

CATARINICES II - DIA DE SANTA CEIA

Catarina é essa ferinha ai no meio da foto entre as primas Karla e Hellen. Um dia, na Escola Dominical, lá na Igreja Presbiteriana de Brasília, Catarininha com 2 ou 3 anos, logo depois de deixar o berçário, já ficava na classe das crianças onde passava a manhã de domingo entre cânticos, brincadeiras e lanches.
Certo domingo cismou que queria ficar com os pais no Templo e, decisões da Catarina eram – como ainda são – um perrengue pra contrariar. Claro, foi para o templo com os pais. E era dia de Santa Ceia, que na Igreja Reformada, é uma cerimônia em que cada participante recebe um pequenino naco de pão e um pequenino cálice de vinho.
Silêncio! O maestro toca suave o piano! Igreja em contrição e Catarina observando atenta os movimentos. De repente não se contém, ao olhar o pedaciquinho de pão e o copinho de vinho nas mãos dos fiéis, e comenta, bem alto:
- “O LANCHE DAS CRIANÇAS É MELHOR"...

Claro que todos os 400 presentes ouviram e deram uma das maiores gargalhadas coletivas da história daquela igreja. Certamente Deus também riu, com gosto.

WELCOME BLUE

A confirmação que a partir do próximo ano teremos nova empresa aérea no Brasil é uma esperança renovada para nós, pobres “viajantes constantes”, que temos que pagar o ônus de dispor apenas das “vermelhas” (sem conotação política) TAM e GOL aqui no Brasil. O nome será AZUL.Bem-vinda!
A última empresa azul, a VARIG, foi engolida de vez pela GOL (Grande Ônibus Lotado) e agora só serve a trechos internacionais. A VASP, a Cruzeiro e a americana PANAM também eram azuis: morreram! Assim como a multicolorida Transbrasil, a única que deixou saudades, pelo menos na minha geração, pra demonstrar que o problema não é cor. É mentalidade!
As azuis VASP, VARIG e PANAM tinham em comum a arrogância (prepotência) dos comissários de bordo e a displicência com que tratavam os passageiros. Por exemplo, em qualquer viagem, os primeiros a entrar em um avião da VASP, interrompendo a conversa das aeromoças, tinham a sensação de estar entrando em “terreno proibido”. Parecia que se podia ler em um balãozinho acima das cabeças das aeromoças (normalmente louras e bem penteadas) algo como: “Passageiros!!! Lá vêm eles perturbar nosso sossego!” Assim, quando a VASP morreu, pra tristeza (apenas) dos funcionários, poucos passageiros lamentaram.
Aliás, anos atrás, a VARIG em fase terminal, afundada pela incompetência em terra, já havia tido seus funcionários tomados pela mesma arrogância que parecia herdada da velha PANAM (onde ser maltratado era quase uma folclórica e masoquista diversão, como alguns consideram divertido ser expulso do Bar Leo em São Paulo, no fim de tarde, ou de um PUB inglês as 11 da noite). Bem, falar sobre a PANAM é tragicômico. As encarquilhadas aeromoças – popularmente chamadas “aerovelhas”, menos pela idade, mais pela ranzinzisse – louras, feias e cheias de laquê, unhas longas e saltos altos odiavam as viagens e os viajantes e não escondiam isso de ninguém. Não conheço uma única pessoa que tenha lamentado o “passamento” da PANAM. Saudade zero!
Porém a VASP, a VARIG, a PANAM – e até mesmo a TAM – começaram bem, tiveram uma fase boa em que as pessoas eram bem atendidas, os horários razoavelmente cumpridos, explicações dadas de bom grado. Passageiros eram tratados com respeito!
A GOL, nem isso. Já começou como é hoje, tosca! Só que,no começo, as passagens eram baratas e as barras de cereais (ração de bordo) eram vistas como uma piada compatível com os preços baixos. Nada mais...nada, nada mais! Agora que pratica preços altos e mantém serviços que nem para ônibus seriam adequados, a esperança na AZUL é o único balsamo para quem viaja, não por prazer, mas por força das circunstancias. Uma pena.

A VARIG do passado e a TAM, também do passado – e só para ficar em empresas ainda vivas – são prova de que é possível tratar as péssoas de forma civilizada. Pena que se esqueceram, pena que a GOL nunca tenha aprendido!

4 de nov. de 2008

CATARINICES I - dormir só?

Catarina, essa moça linda, claro, já foi pequetita, a menor da turma e por isso a “Pitoco”, ou, simplesmente Pit. Pode ser, ainda, Pit-Bull quando fica mais brava, principalmente com o irmão Tercio. E, desde sempre, “cheia de idéias”.
Tinha perto de quatro anos quando se deu conta que os irmãos dormiam em um quarto, juntos; os pais dormiam em outro quarto, juntos, e ela, só ela, dormia sozinha... “sozinha?”
- “Não filhinha, você dorme com Jesus, explicou a mamãe”, acalmando-a.
Mas durou menos de 24 horas. Ela meditou muito e, no dia seguinte nos convoca, do alto de seu pouco mais de meio metro, porque teve a seguinte“idéia” (uma "adéa", segundo ela):
- “Os irmãozinhos (Emilio e Tercio) podem continuar a dormir no quarto deles; eu durmo com a mamãe no outro quarto; e o papai dorme com Jesus”. E bateu as mãos (em sinal de triunfo), gesto acompanhado de seu sorrisinho irresistível.
Bom, ganhou mais uma temporada no quarto dos pais.

25 de out. de 2008

1970 - IPAUSSU (SP)

Imagine Ipaussu (SP) em 1970, sem internet, sem video-game - aliás, sem computador - um único e chato canal de TV (Excelsior já falecida). Durante o dia, além da escola, futebol, pescaria... À noite, o tempo sobrava... Namorar não era usual de 2a. a 6a.feira. Os bailinhos, uma ou duas vezes por mês, aos sábados ("os embalos de sábado a noite"). O velho Cine Riviera passava filmes B, renovados diariamente, mas, de qualquer forma, mal ocupavam duas horas de nosso tempo. Tínhamos que ser criativos. E criávamos: jornal, teatro, fanfarra, seresta...
Ai do lado um guardado do Toninho Campos (nosso "Rótula"), hoje em Penápolis (SP), sobre um grupo de teatro criado em 1970 pelo inesquecível louco e genial Hélio Brizola, à época apoiado pela Folha de Ipaussu, como atestam as assinaturas do Celso Egreja (Bina) e desse blogueiro menor, então "redator" da Folha. O convite foi mimeografado e depois individualizado ao destinatário por meio de uma máquina de escrever. Olha, quem souber, explique, por favor, a quem não sabe, o que é (ou era) um mimeógrafo (Boa sorte!Rs.).
Uma recordação gostosa, sem a pieguice da saudade inconsolável, mas com uma ternura antiga. E boa!

22 de out. de 2008

Gisele Bundchen e o EURO

Hoje, quando o euro (€) caiu para US$ 1,32, lembrei-me da Gisele Bundchen. Explico, mas, antes é preciso lembrar que, internacionalmente, a cotação do € (o euro) é “ao contrário”, isto é, mede-se quantos dólares vale um único €. (Para a maioria das moedas é o inverso, ou seja, fixa-se um dólar, ou US$ 1, e mede-se quantos reais, pesos, francos suíços, etc., vale esse único dólar. Assim, US$ 1 vale R$ 2,35; ou P$ 3,40; ou 96 ienes e assim por diante). Claro que se pode medir quantos reais vale €1; ou quantos pesos vale €1, mas “internacionalmente”é assim: €1 por “tantos dólares” (*).
Pois bem, o dólar vinha caindo frente ao euro e outras moedas. Em determinado momento, €1 valia US$ 1,20, depois 1,25, em seguida 1,30. Quando passou de US$ 1,40 (por €1), Gisele Bundchen anunciou ao mundo inteiro que seus contratos dali em diante seriam em euros. Na verdade, até acertou por um tempo, porque, no auge, meses atrás, €1 conseguia comprar US$ 1,65. Ou, um milhão de euros compravam US$ 1.650.000,00).
Mas hoje, 23.10.08, um euro compra “apenas”1,32, ou seja € 1 milhão valem “apenas” US$ 1.320.000,00... Pior é lembrar que tempos atrás €1 valia apenas 80 centavos de dólar, quer dizer, dá pra piorar.

Sabe? Fiquei pensando em fazer um acordo com La Bundchen, se ela topar: eu não tiro mais fotografias, ela não trata mais de câmbio.


(*) só para lembrar, a libra esterlina, o dólar australiano e algumas outras poucas moedas, menos importantes, são cotadas dessa forma invertida”, ou “tipo B”.
NOTA: EM 23.10.08 UM EURO COMPRAVA APENAS US$ 1,25

7 de out. de 2008

Ano 2.035 – 10 MIL DIAS - PARTE 3 (MEET JOE BLACK) - O FIM

Essa história começou quando me dei conta que, neste ano da graça de 2008, ultrapassei a marca de 20 mil dias desde que nasci e também me sobreveio a sensação de ter vivido pelo menos 2/3 da vida, sobrando – com muita sorte – o terceiro e ultimo terço (“e as contas que ficarem do meu terço sem rezar, são versos de um poema que eu nem pude terminar”) (*) . Essas contas, sem nenhuma mágoa, levaram-me a uma viagem rapidinha pelo tempo desse mundo que muda a uma velocidade alucinante, mas que se auto-detrói de forma ainda mais rápida, pondo a si próprio em grande risco.

Para sobreviver, há que se descobrir "algo abençoado", um “trem bento”, como diriam alguns mineiros, um TereBentium (o T+, significando Tê CRUZ, ou Tê BENTO) formulação possível pelo grau de deterioração da língua pós informática. Mas é só uma forma prosaica de dizer que Deus terá que operar milagres ainda maiores para manter a humanidade aqui no Planeta, eis que, se individualmente nos caracteriza - a nós seres humanos - o instinto de sobrevivência, na ação coletiva somos um bando de "lemings eternamente flertando com o o suicídio, nas tundras norueguesas." (repeti aqui, porque o Tercio adorou a expressão).

Concluo que me preocupa mais o destino do mundo, ora habitado por meus filhos, ainda no primeiro terço da vida, do que pelo meu destino próprio.

Ontem revi “Encontro Marcado” (Meet Joe Black), ao som de What a Wonderfull World e emocionei-me de novo quando o personagem William Parrish de Anthony Hopkins diz à Morte-Joe Black (Brad Pitt) que estava pronto para “ir” e seus olhos significam/traduzem exatamente isso... E essa cena segue-se a uma outra, na qual, em seu leito de morte no hospital, uma mulher negra, também no "terceiro terço", doente terminal, implora à Morte/Joe Black que a leve, porque ela, além da dor física, “já tinha todas as boas lembranças que precisava para a viagem final”. Como se fora esse o objetivo de nossa passagem pela vida.

Não, não tenho ainda todas as lembranças, nem conheci todos os prodígios, lugares e pessoas que quero conhecer e vivenciar. Mas sei perfeitamente o quão necessário é andar depressa, antes que acabe a água e o vento. E que o T+ seja rapidamente encontrado para que o tempo da Terra seja adequado aos filhos e aos filhos dos filhos.

Na minha cena final (oxalá demore muito), uma das canções que gostaria fossem entoadas seria exatamente a simbiose mágica que o hawaiano Olé Israel fez de What a wonderful
World e de Somewhere over the Raimbow, na batida sonora e cheia de charme do seu Ukelele. Que, aliás, hoje ele toca em outra dimensão, como se essa simbiose tivesse completado sua obra. Muito cedo...

Ah! Se emplacar mais 10 mil dias, chego aos 83. Se prepare que vou estar up to date com o mundo até o dia de encontrar Joe Black. Sem medo...

(*) Trecho da Banda da Ilusão de Ronnie Von


E CASO NÃO CONHEÇA:
1- LEMINGS, veja: http://br.youtube.com/watch?v=VWuiGWkd7mM&feature=related )
2 -Kamakawiwo Ole' Israel - Somewhere Over The Rainbow- What a Wonderful World: veja (e ouça) em
http://br.youtube.com/watch?v=oPBA2v13JUY



6 de out. de 2008

TOM, VINICIUS e CATARINA

"QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE"

Para mim o caminho mais curto entre minha casa e um teatro é uma visita da Catarina. Não foi diferente no último fim de semana em que, com ela aqui, no sábado, fomos assistir à peça “Tom e Vinicius, o Musical”, de Daniel Herz. Um emocionante “reencontro”com os dois amigos, compositores e bossa-novistas, características que marcaram a vida dos dois e destaque neste ano em que comemoramos 50 anos de bossa-nova. Vividos com competência e emoção por Marcelo Serrado e Thelmo Fernandes, realizam um encontro atemporal onde "recordam" momentos passados e futuros de cada um – e dos dois em dupla – revivendo encontros com grandes personagens de então, de Dolores Duran a Frank Sinatra, passando por Elizeth Cardoso, entre muitos outros. Recupera-se parte da história desde o Orfeu do Carnaval até seus últimos trabalhos juntos. Excelente seleção musical (aliás, fácil fazer com o repertório desses dois) e grande elenco de apoio. Vale a pena ser visto e curtido por quem tiver a oportunidade, mesmo que seja apenas para reviver Vinicius declamando seu "Soneto da Fidelidade", a bordo de um copo, ancorado em um bar de Paris.

4 de out. de 2008

Dolar ficando caro. Por que?

Tem um artigo na Folha de São Paulo de hoje (04.10.08), da repórter Denise Godoy, que avalia porque o real , ultimamente, é a moeda que mais se desvaloriza no mundo. Ela coletou uma série de opiniões sobre o assunto, inclusive a minha que está transcrita assim:
“Na opinião do consultor Emilio Garofalo Filho, ex-diretor do Banco Central, a principal explicação para o "transtorno bipolar" que afeta o mercado está na inexperiência dos jovens operadores, que nunca passaram por uma crise e agem como "maria-vai-com-as-outras". "Pouco tempo atrás, falava-se de uma valorização exagerada e agora vemos essa queda. O comportamento ziguezague é típico de quem não analisa fundamentos", afirma.
A solução, prossegue ele, é que o Banco Central volte a agir como "xerife" do mercado, "não contrariando a tendência, porém contendo esse ímpeto emocional de cada dia". Uma das formas de fazer isso é comprar e vender moeda, e outra, especialmente indicada em situações como a atual, é repassar, aos bancos que atuam nesse segmento, linhas de crédito para o exportador.
"A taxa de câmbio mais alta compensa uma eventual diminuição das exportações; entretanto, isso só é verdade se há liquidez. De pouco adianta vender e não conseguir a antecipação dos recursos. O governo tem que agir para garantir a disponibilidade de recursos", afirma Garofalo.” (A transcrição integral está no outro blog: www.cambiosdobrasil.com.br)

A principal constatação é que eu continuo bocudo e sem paciência com o bando de janotinhas que sabia tudo, dava aula pra Deus, em Inglês e em Economês, enquanto o mar estava calmo. Na primeira onda mais forte, todo mundo corre pro colinho da mamãe, quer dizer, corre comprar dólares. Como se o Brasil tivesse piorado 30% entre o começo de agosto (dólar a R$ 1,60) até hoje (dólar acima de R$ 2,00). O tempo vai me dando paciência para a maioria das coisas, menos para suportar arrogância. Ih!!!! Isso soa arrogante??

3 de out. de 2008

200 gramas de mortadela


foto Campo de Futebol
Na padaria procurei ser gentil com o balconista:
-- "DUZENTOS gramas de mortadela, por favor!"
O olhar dele passou da surpresa à ironia quando perguntou:
-- "O senhor quer DUZENTAS gramas de mortadela???" (assim, enfatizando a feminilidade que ele atribuía à unidade de peso). Fiquei embaraçado. Dúvida: explico a ele que a grama, assim no feminino é aquela verde, que nasce na terra, um vegetal muito usado em campos de futebol e degustado, inclusive, por certos tipos de muares? Não, deixa pra lá. Seria muita arrogância, ali, naquela hora.
-- "Isso, isso, respondi. Corte bens finas por favor... as fatias!"
Voltei uma semana depois, já esquecido do pequeno percalço, mas ali estava de novo o sagaz balconista, aquele zeloso da língua à sua moda! Bem, eu já havia concordado com a inadequação de tentar explicar a masculinidade do grama, unidade de peso, ali na padaria. Tudo bem, mas adotar a forma errada – mesmo que popularmente aceita – também não me fazia a cabeça. Afinal, nos 10 anos que trabalhamos com ouro no Banco Central, cansamos de corrigir as pessoas que citavam: “as gramas de ouro”. O mínimo que alguém da equipe dizia era: “o grama é macho” (normalmente seguido de um palavrão).
Olhei pro atendente. Ele olhou pra mim e sou capaz de jurar que ficou esperando que eu “errasse” de novo. Havia um rastro de sorriso no seu rosto esperando meu pedido, quando enfim me decidi:
-- “Duzentos e CINQUENTA gramas de mortadela, por favor”. Ele nem esboçou qualquer reação que não fosse pegar a peça de mortadela e colocar na máquina de fatiar.
Agora só compro assim: 150 g, 250 g, meio quilo. Sem estressar a mim e ao atendente.