Das saudades que carrego de Sampa, uma das mais recentes é de um bar onde se come muito bem. (Pra quem não sabe, uma das maiores tradições paulistanas é a qualidade de sua "comida de boteco", encravada em um dos maiores centros culinários do mundo).Falo do Bar da Dona Onça, localizado à Avenida Ipiranga 200, no Edifício Copan, um dos poucos monstrengos que Niemeyer dedicou a SP (ufff!). O Bar da Dona Onça abriu as portas em abril de 2008 sob a direção de Janaína Rueda, Júlio César de Toledo Piza e Sissi Spitaletti e já na edição especial Comer & Beber 2008/2009, da revista Veja São Paulo, levou a taça de “a melhor cozinha de bar da cidade”. Não é pra menos: a qualquer hora do dia você pode sentar-se e pedir uma rabada com polenta e agrião, ou uma pancetta de porco frita, um bifê a rolê, uma peixada de mar e rio, ou um picadinho de filé com arroz, ovo frito (zóião) e tartar de banana. Nada LIGHT, claro, mas tudo feito com muito esmero, carinho e tempero. E pense que tudo isso pode ser complementado com "mini churros com doce de leite, feitos na hora, servidos quentinhos" (com calor e calorias).
Claro que é também uma bela opção para quem quer tomar um drink noturno, porém (sempre é bom avisar) lá não servem chope: o bar tem a intenção de popularizar o vinho e, por isso, a carta de bebidas substitui o tradicional chope por taças de tintos e brancos Evidentemente cervejas em garrafas de 600 ml, de diversas marcas e origens, também estão disponíveis.
Não conheci as sócias Janaina e Sissi, mas o Julinho – excelente papo, flutuando de saborosas piadas a desvarios culturais de todo tipo – conheço desde os idos de 1980 quando ele presidia a Bolsa de Mercadorias de São Paulo (mais tarde “engolida” pela BM&F). Para identificá-lo, procure um tipo simpático, gorducho, meio sem pescoço e com voz rouca, própria dos navegantes de infinitas madrugadas. E prepare-se para uma longa e inesquecível conversa.
--